VIAGEM AO PASSO DO LONTRA PARQUE HOTEL I
Pantanal estava em época de uma grande cheia.
16/04/2018.
O dia do aniversário de uma pessoa torna-se importante para a própria pessoa. Com este pensamento eu sempre procurei passar meus aniversários, em um lugar que propiciasse paz, tranquilidade e alegria. O Pantanal sempre foi um dos meus lugares prediletos.
Estas duas imagens, são símbolos da beleza que podemos desfrutar no Pantanal. Como esquecê-las? Haveria um presente mais perfeito, que estes quadros oferecidos pela natureza? Creio que não!
Obrigado Senhor por esta dádiva. Obrigado por estar ali naquele momento. Obrigado por estar vivo e contemplar tanta beleza. Jamais esquecerei estes quadros, pois estava com minha mulher Any, o que torna estes momentos, eternos em minha mente e em meu coração.
Quando eu era dono da chalana Shekinah, navegar com ela, pelos confins do Pantanal, era meu destino predileto. Hoje temos que buscar novos programas, novos lugares, novas aventuras e novas emoções.
Assim optamos mais uma vez para irmos para o Pantanal, no Rio Miranda, na região do Passo do Lontra, hospedarmos no Parque Hotel. É uma região muito bonita e rica na fauna e na flora; o verdadeiro Pantanal de Matogrosso.
Programação da viagem: Saída dia 13/04/2018 as 10:00h (Sexta-feira). Pousando em Campo Grande. No dia 14/04/2018 (sábado). Sairíamos de Campo Grande para o Passo do Lontra Parque Hotel.
Pescando dias= 15 (Domingo), 16 (Segunda), 17 (Terça) e 18 (quarta).
Dia 19/04/2018 (quinta-feira), sairíamos para pousar em Três Lagoas, Dia 20/04/2018 estaríamos já voltando para Ribeirão Preto.
E-mail do hotel: WWW.PASSODOLONTRA.COM.BR
VIAGEM AO PASSO DO LONTRA PARQUE HOTEL.
Localização geográfica para GPS: S 19٥ 34` 46,8“ e W 57٥ 01` 14,8“
Faríamos a viagem, de ida, em duas etapas: A primeira até Campo Grande. A segunda de Campo Grande até o Pantanal, no hotel.
A distância seria de: 1.260 Km. O total da viagem foi de 2.820 Km., pois adamos também lá pela região do Rio Abobral.
Navegarmos muito, pelos rios da região: Miranda, Rio Vermelho, Aquidauana, Touro Morto e Paraguai. A noite saímos pelas estradas de terra, focando animais pantaneiros e aves noturnas.
A viagem: Ribeirão Preto Três Lagoas = 473Km; Três Lagoas a Campo Grande = 330 Km. Campo Grande ao Passo do Lontra= 460 Km.
SAÍDA DE RIBEIRÃO PRETO COM DESTINO A CAMPO GRANDE.
A saída foi as 10:30, inicialmente iríamos até Três Lagoas, depois Campo Grande onde iramos pernoitar. Saindo de Ribeirão Preto, é pista dupla até Taquaritinga.
Este é a imagem do Google-Earth de nosso primeiro trecho da viagem, com um tempo estimado de 5 horas, e distância de 473Km.
Hoje felizmente não podemos correr muito, pois tem radares por todos os lados. Mesmo com cuidado fui multado em Araçatuba a 88Km/h.
Iniciamos a viagem pela rodovia Atílio Balbo, SP 333.
A região de Ribeirão Preto, Sertãozinho, Barrinha, Jaboticabal, Taquaritinga, de início é uma maravilhava indescritível. As plantações de canas, se abrem como um verde tapete contínuo por todo o trajeto.
Realmente quando o vento varre a superfície do canavial, faz ondas harmônicas, que percorrem distâncias, lembrando realmente um oceano embalado pela forte brisa, de um vento constante. É muita riqueza que estes solos propiciam.
Depois de Sertãozinho passamos pela Usina São Francisco, cujo ex-dono deu o nome, depois de seu trágico falecimento em um desastre, a estrada que estávamos passando até aquele ponto (Balbo).
Rio Mogi-Guaçu depois de Barrinha. A estrada oficialmente se chama Miguel Jubran, até o final, mas em homenagem a pessoas influentes de certas regiões ela tem nomes regionais, como veremos. O rio Mogi-Guaçu, é um o afluente principal do Rio Pardo na sua margem esquerda. Eles se encontram próximos a cidade de Pontal. É o rio que passa pela Academia da Força Aérea de Pirassununga, área da Cachoeira de Emas, onde viviam os índios Guaranis no distante passado histórico.
Alguns quilômetros à frente existe um pedágio da firma Triângulo do Sol. Logo depois existe uma entrada a direita para a importante Faculdade de Veterinária de Jaboticabal (UNESP).
Neste trecho a estrada é chamada de: Nemesio Cadetti, em honra a um importante cidadão da cidade de Jaboticabal.
Este cruzamento é ao lado da cidade de Jaboticabal. Como indica a placa para o norte do estado o destino é Bebedouro, Barretos, divisa de Minas Gerais.
Este é o trevo de uma importante rodovia do estado de São Paulo, Brigadeiro Faria Lima, que vai de Matão até a divisa do estado com Minas Gerais;
Este é o trevo onde se cruzam as estradas, Miguel Jubran e Brigadeiro Faria Lima, ambas percorrem regiões muito produtivas e ricas do estado.
Esta é a imagem típica, e uma vista maravilhosa representativa de toda a região. O que mais chama a atenção é a não existência de cercas de arame dividindo as propriedades. As divisas das propriedades estão nos computadores, os tratores com o GPS já saem com a rota para a aração traçada. É o progresso, evitando as perdas de espaços de cercas de arames, que abrem carreadores desnecessários e exigindo manutenção.
Quando passamos a cidade de Taquaritinga a estrada fica pista simples. Um trecho muito movimentado. A topografia ondulada, não facilita o trânsito, importante tomar muito cuidado. Daí para frente são 100 Km de pista única, que vai até a importante rodovia Marechal Rondon. Nesta estrada passaremos por uma bonita represa do Rio Tietê.
Depois de 18 km, de Taquaritinga, cruzamos a importante rodovia Washington Luiz.
Este é o trevo da rodovia Washington Luiz, esta rodovia de pista dupla sai de Limeira e vai até São José do Rio Preto, passando por Catanduva. O traçado azul é nossa rota.
Depois deste trevo, a estrada de pista simples, e bem movimentada, é ladeada de plantações de laranja. Existe antes da entrada de Ibitinga uma unidade fabril de suco de laranja da Citrosuco muito famosa. Até o rio Tietê tem 70 Km de estrada, passando por Borborema, para se chegar ao Porto Ferrão. Hoje uma belíssima represa de águas azuis.
PORTO FERRÃO, visto por uma fotografia do Google, a grande altitude.
Ponte do Rio Tiete, lugar conhecido como Ponte Ferrão. Esta ponte esta depois da cidade de Borborema.
Desde o grupo escolar, 1950, aprendemos que nosso rio mais importante, no estado de São Paulo, é o Tietê. Ele propiciou aos bandeirantes, com seus batelões penetrarem e conquistarem o interior do pais. Hoje ele está aí com suas lindas e importantíssimas UHE, usinas hidroelétricas, propiciando imensos reservatórios de água e produzindo energia elétrica para o Brasil.
Séculos atrás por aí passavam, rio abaixo, os batelões dos bandeirantes. Homens aventureiros, que em busca de ouro e pedras preciosas desbravaram o interior do Brasil, expandindo nosso território.
Hoje, rio acima, passam as imensas balsas, impulsionadas por grandes rebocadores, com mais 300 toneladas de grãos, para chegarem ao porto de Santos, de trem, e serem exportados. Propiciando riqueza para nosso importantíssimo Agronegócio.
Por estas águas azuis passam riquezas. Armazenam energia. É uma dádiva da natureza, aproveitada pelo homem.
http://viagensdrsergiolima.com.br/ . Nesta página da internet os interessados encontrarão todas as informações dos Grandes Lagos (represas) do Estado de São Paulo.
No meio da ponte sobre a represa foi construída esta magnífica estrutura de aço, para dar segurança à passagem das imensas balsas que navegam pela represa. Estes grandes comboios, com mais de 300 toneladas de grãos, vêm de Mato Grosso, Minas e Goiás, para o porto de Santos.
Do alto do restaurante, a esquerda da represa, após a ponte, temos uma vista magnífica da do lugar, e da grande ponte que faz sua travessia.
Depois do rio Tietê, continuamos em uma pista simples muito movimentada. A SP-333, passa pela cidade de Pongai. A fotografia mostra o único posto de gasolina do trecho, que existe logo após a cidade.
Este é um ponto, 18 Km depois do posto de gasolina. Muito esperado na viagem, pois saímos de uma pista simples, e pegamos uma bela pista dupla até a divisa do Estado.
Este mapa do Google mostra do espaço, a chegada da estrada Miguel Jubran na Rodovia Marechal Rondon, e o trajeto desta rodovia até MS, seguido para Oeste paralela ao rio Tietê com suas represas maravilhosas.
A rodovia Marechal Rondon, SP 300, tem 558 Km de comprimento, seguindo sempre em direção ao Oeste, e paralela ao importante Rio Tiete. Nesta viagem a pegamos no município de Cafelândia.
É sempre com emoção, chegar a esta rodovia, pois ela nos conduz para o oeste, para onde queremos ir, é o caminho para o Pantanal. Além do mais o nome da estrada nos lembra de forma inesquecível a figura o Marechal Rondon, o homem que implantou a linha telegráfica por todo interior deste Brasil: do Mato Grosso ao estado do Amazonas, uniu povos, brancos e índios. Ligando a capital, na época, Rio de Janeiro a todo interior do Brasil.
Esta é a rodovia com suas características, caminhões pesados, trafegando em todos os sentidos. Ela um símbolo do progresso, transportando riquezas, para o interior do Brasil.
Logo depois de Lins cruzamos com a Rodovia TRANSBRASILIANA. É uma rodovia importantíssima para o Brasil. A grande, maioria dos viajantes passam por este cruzamento e não fazem a mínima ideia da importância que é esta rodovia, e muito menos de seu tamanho.
BR-153. A BR-153, também conhecida pelos nomes de Rodovia Transbrasiliana, Rodovia Belém-Brasília e Rodovia Bernardo Sayão, é a quarta maior rodovia do Brasil, ligando a cidade de Marabá (PA) ao município de Aceguá (RS), totalizando 4.355 quilômetros de extensão. Ao longo de todo o seu percurso, a BR-153 passa de Marabá no estado do Pará; até Aceguá, RG..
Mapa da Rodovia Transbrasiliana. Para vermos sua importância.
Seguindo nossa rota, depois de Lins, e da rodovia Transbrasiliana, entramos em uma região que tem muita história. A Região dos “Campos do Avanhandava” e do “Salto do Avanhandava”, no baixo Rio Tietê, quando da chegada dos primeiros pioneiros (brancos colonizadores), era habitada pelos índios Coroados e Caingangue.
O primeiro povoado foi na região onde é Penápolis, 1860. Depois formou-se o povoado de Avanhandava, 1904. Era uma região rica de Mata Atlântica. Existem numerosos relatos de desbravadores de toda esta região.
As matas eram derrubadas, e os cafezais eram plantados, com a terra fértil da mata derrubada, exuberantes cafezais brotaram, com alta produtividade.
Para escoar toda esta riqueza a Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, foi sendo construída, seus trilhos eram as veias de energia que povoaram a região Oeste. Nos pequenos povoados, Cafelândia, Lins, Avanhandava, Penápolis, entre outros foram construídas estações ferroviárias, e das estações vieram a riqueza, com ela as cidades. A estrada de ferro caminhou até os limites do Brasil, chegando a Corumbá no Mato Grosso.
Os cafezais foram com o tempo substituídos pelas invernadas, o capim colonião, verdejavam as ondulações da terra, que eram pontilhadas por milhares de bois na engorda.
Grandes invernistas de bois da região fizeram histórias e músicas. Formaram cidades, como o caso de Andradina, ligada a um importante político Auro Moura de Andrade, senador e por uns dias presidente do Brasil.
Depois com o enfraquecimento dos terrenos, o colonião foi substituído pela braquiária, encerrando um ciclo.
Hoje pouco disto existe, tudo foi substituído pelos imensos canaviais. A cana realmente domina praticamente toda a região.
Com estes pensamentos passamos pela entrada de Avanhandava e depois chegamos entrada de Penápolis.
Passando a entrada de Penápolis 10 Km a frente cruzamos uma importante rodovia.
TREVO IMPORTANTE DA RODOVIA ASSIS CHAEAUBRIAND.
A rodovia, SP-465, Assis Chateaubriand, passa por cidades importantes como Presidente Prudente, São José do Rio Preto e Barretos, tendo grande importância econômica.
Este é o trevo, da rodovia SP- 425, Assis Chateaubriand, mostrado pelo Google. É uma estrada muito importante e esquecida, praticamente, pois há 1 ano eu fiz o trecho de Presidente Prudente a Penápolis, um movimento intenso de grandes caminhões, pista simples, a topografia ondulada. A estrada torna-se perigosa, sendo um contraste gritante, com outras rodovias do estado de São Paulo.
Depois deste trevo há uma mudança no panorama, começam a aparecer algumas invernadas. Birigui tornou-se uma cidade com grande crescimento e progresso. Parece que a cidade já está se unindo a Araçatuba, incrível.
Pouco antes da entrada para ARAÇATUBA está a FACULDADE DE ODONTOLOGIA. Esta faculdade mesmo nas primeiras décadas de sua fundação, tiveram excelentes professores que deram importantes contribuições para a ciência odontológica.
Saindo da bela cidade de Araçatuba, cruzamos a rodovia SP-463, que sai deste ponto em sentido do Norte, passando pela Represa de Três Irmãos, por Auriflama e vai até Fernandópolis. Nossa rota é o traçado azul.
Seguindo a rota, pela Marechal Rondon passamos por: Valparaiso, Mirandópolis e Andradina, Castilho e a divisa de Mato Grosso MS.; Rio Paraná.
Pouco antes de Andradina cruzamos com a SP-563, que segue em direção ao norte chegando em Pereira Barreto, passando antes pela represa de Três Irmãos.
Continuando pela rodovia Marechal Rondon, depois da cidade de Castilho chegamos ao Rio Paraná, que forma a represa de Jupiá, divisa do Estado de São Paulo com o de Mato Grosso do Sul.
CHEGANDO NA DIVISA.
Sempre emocionante para mim, depois horas de viagem chegar a nossa divisa do estado, ainda mais com esta vista maravilhosa da represa. A esperança de aventuras, pescarias, rios, fauna e flora, a serem vistos e apreciados, é a motivação.
Imaginar os rios que formam o Pará tão importantíssimos, nos faz sentir orgulhosos de estarmos passando pelo grande rio. Formadores: Exemplos, Paranaíba e Rio Grande. Afluentes: Tietê e Sucuriu.
O traçado azul e nosso caminho.
Represa de JUPIÁ. O traçado amarelo mostra a barragem, antes atravessávamos por este caminho para Mato Grosso. Hoje passamos por uma ponte a jusante da barragem representada pela linha azul (rota).
Esta é uma fotografia sobre a barragem, no tempo que a estrada passava por aí.
Fotografia do Google da Eclusa de navegação da barragem de Jupiá.
As Esclusas são verdadeiros elevadores aquáticos, que tem a função de transportar navios grande ou de pequeno porte. Ela atua como um verdadeiro elevador, ajudando navios a transpor rios ou canais onde existe desnível no terreno. Esse desnível pode ser provocado pela construção de uma barragem ou uma hidrelétrica, por exemplo. A eclusa nada mais é que uma grande câmara de concreto com dois enormes portões de aço. Depois que o navio entra, os portões são fechados. E o tanque é cheio de água, para subir o rio, ou esvaziado para descer.
Estas são as pontes a jusante da barragem de Jupiá: Ponte rodoviária. E a histórica e antiga ponte metálica rodoferroviária, por onde por séculos passam trens com destino ao Mato Grosso, e união com ferrovias bolivianas que vão até Cochabamba.
Entrando em MS, pela porta de Três Lagoas.
Esta fotografia é de um quadro no posto de combustível na saída de Três Lagoas, mostrando as 3 lagoas que deram origem ao nome da cidade.
A noite caia lentamente, desenhando quadros cheios de beleza. A cada instante uma imagem, era emocionante estar ali, guiando com cuidado, pois a estrada de pista simples, é muito movimentada, e o asfalto nestes primeiros 150Km não era nada bom.
Os 345 km de Três Lagoas até Campo Grande, não tiramos nenhuma fotografia foi somente prestando a máxima atenção na estrada, caminhões atrás de grandes bitrens, tomando quase toda a estrada. Mesmo estando com um equipamento potente, as ultrapassagens tinham que serem feitas com perícia e prudência.
Acredito que por medo de assalto, os caminhoneiros procuram andarem juntos, em 2, 3, 4 ou mais grandes caminhões. Por este motivo as ultrapassagens são problemas constantes nestes longos trechos de pista simples e asfalto irregular.
Quando existe uma reta longa, por exemplo, temos que acelerar a 160Km/h ou mais para dar tempo de ultrapassar a fila de caminhões. Isso gera uma tensão imensa na gente que está guiando e na companheira ao lado.
A sorte, contudo, é que não existem amadores nestas estradas, todos caminhoneiros e motoristas, guiam muito bem, respeitando o pesado tráfego, sem fazer nenhuma imprudência, graças a Deus. Alívio ao chegarmos na capital de Mato Grosso do Sul.
Este é o trecho que fizemos praticamente a noite de Três Lagoas para Campo Grande, passando por Água Clara e Ribas do Rio Pardo, distância de 340 Km.
Saímos para jantar, e não sei porque minha mulher se alegrou em tirar esta fotografia, dizendo que estava salva?
SAINDO DE CAMPO GRANDE PARA PASSO DO LONTRA. DIA 14-04-2018.
Não acordamos cedo, nem sei bem a hora que saímos com destino ao Passo do Lontra. A saída da cidade é longa, com avenidas movimentadas e cheias de radares. Passamos pelo quartel do exército e depois da aeronáutica, onde fica o aeroporto da cidade.
Logo passamos por Terenos, tem este nome pois no lugar havia uma tribo destes índios, hoje é uma cidade considerável, já praticamente se unindo a Campo Grande.
Pesquisando no Google: ”O Mato Grosso do Sul abriga uma das maiores populações indígenas do país. Os Terena, por contarem com uma população bastante numerosa e manterem um contato intenso com a população regional, é o povo indígena cuja presença no estado se revela de forma mais explícita, seja através das mulheres vendedoras nas ruas de Campo Grande ou das legiões de cortadores de cana-de-açúcar que periodicamente se deslocam às destilarias para o trabalho temporário nas fazendas e usinas de açúcar e álcool”.
Depois da cidade de Terenos, a estrada faz uma série de curvas, acompanhando o trilho do trem da antiga Noroeste do Brasil, depois de uns 15 Km, a estrada passa sobre os trilhos e muda completamente suas características, aparecendo grandes retas, e a maioria em declives. Pois saímos do Planalto Central Brasileiro, com uma altitude média de 600ms, para a Planície Pantaneira, cuja altitude varia, no Pantanal alto 200m, no Pantanal baixo 90 metros.
Na descida passamos pela Serra de Maracaju, montanhas erodidas pelo tempo, com suas características próprias, geograficamente esta serra delimita o Planalto Central, da Planície Pantaneira.
Nota sobre a Estrada de Ferro Noroeste do Brasil:
Como em nossa viagem a partir da Rodovia Marrechal Rondon até o destino para o Oeste do Brasil, Corumbá, acompanha esta estrada de ferro, acho importante tecer algumas considerações históricas de sua grande importantância na exploração do oeste do Brasil. Chamada por alguns de TREM DO PANTANAL.
A Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (NOB) era uma companhia ferroviária brasileira que operava uma rede ferroviária de bitola métrica. A extensão da estrada de ferro era de 1622 quilômetros. Saia de Bauru, SP e ia até Carumbá, MS., na divisa da Bolívia, onde faz integração com a rede ferroviária boliviana até Santa Cruz de la Sierra (este trecho era chamado de Trem da Morte).
Foi construída na primeira metada do SéculoXX. A linha tronco começou a ser construída em Bauru em 1905. Passou a ser controlada pelo governo no ano de 1917.
O traçado da Noroeste ainda serve aos trens de celulose de Três Lagoas-MS até o porto de Santos-SP (descendo pela linha da Sorocabana após chegar em Bauru) , aos trens de aço de Bauru-SP até a Bolívia e aos trens de minério das minas da região de Corumbá até o porto de Ladário-MS.
Passamos por Aquidauana e Anastácio. A estrada até uma serrinha que existe no trajeto é bem reta e plana. Quando passamos o posto Taquaruçu, ela torna-se ondulada pois vai pelo Pantanal Alto, até Miranda
Na frente do restaurante de Miranda, havia um dourado estilizado, enfeitando a construção, fiquei contente em ver um restaurante tão limpo e bonito lá no início do Pantanal Baixo. No posto havia uma referência aos índios da região pantaneira.
Dentro do posto havia muitas obras de cerâmicas feitas pelos índios da região que eram os cadiuéus e os guaicurus (conhecidos como os índios cavaleiros do pantanal).
As cerâmicas feitas pelos índios são muito bonitas, e são as peças mais atrativas da loja.
Ao saímos do posto, tivemos o prazer de ouvir dezenas de pássaros cantando, como se festejassem o ambiente pantaneiro.
Este é o caminho que estávamos fazendo de Campo Grande até o Passo do Lontra de 485 Km.
A estrada está ótima e com muitos radares, para não continuar matando tantos animais no pantanal. Cada 15 a 20 Km têm 2 ou 3 radares, todos com velocidade limite de 40Km/h ou 60 Km/h. Mesmo assim vimos muitos jacarés mortos, capivaras, macacos e tamandua mirim. Quando estamos acima destas velocidades não dá para parar a condução.
Mesmo assim vimos uma cena triste um caminhão, destroçou uma grande anta, que arrebentada estava sendo removida da pista. O mais triste é que ela tinha um filhote, que foi morto também.
No Pantanal baixo a estrada para ser construída teve que ser feito um aterro de mais de 10m de altura. Nesta faze a estrada era de terra, e havia lugares que passávamos dentro de corixos. Muitos lugares a terra iam afundando, e tenham que colocar caminhões de terra para subir o aterro. Depois de muitos anos, o asfalto foi feito, mesmo assim periodicamente ele tem que ser reparado.
Nessa fase andávamos na estrada vendo o Pantanal do alto dos 10 metros, com o asfalto, e o tempo, as árvores da beirada da estrada foram crescendo. Transformaram em uma mata galeria do asfalto, com isso ao passarmos pela estrada não temos mais uma visão ampla do pantanal. E os animais quando saem da mata, para atravessarem o asfalto, não há tempo dos motoristas brecarem, e os animais são atropelados. Agora com os numerosos radares houve uma melhora nestes acidentes.
No pantanal alto a mata galeria não se formou, nesta foto vemos um radar que tem salvo muito animais.
Vimos muitos animais como já disse. Mas esta capivara nós a cercamos para que não atravessasse a pista, para não ser morta pela condução que vinha a alta velocidade.
Eu buzinei o animal parou, e o caminhão passou. Questão de segundos apenas.
Este trecho da estrada ficou muito diferente, parece que estamos atravessando uma floresta.
Quilômetros à frente chegamos ao famoso Buraco das Piranhas. Famoso por que? Primeiro pois aí existe um posto da polícia federal e ambiental, quando estão em atividade, revistam tudo é desgastante, mas necessário. Segundo, é onde inicia, a Estrada Parque Pantanal, neste ponto da estrada tem uma bifurcação, a esquerda segue o asfalto para Corumbá, e a direita é o caminho para o Passo do Lontra, Porto Manga e Região da Nhecolândia (Estrada Parque). Terceiro lugar o nome de Buraco das Piranhas, pois segundo relatos, logo depois da ponte, havia um buraco que demorou anos para ser preenchido, no início foram mais de 80 caminhões de terra, depois continuou afundando lentamente por anos. Em 1995, cheguei passar por aí e o asfalto apresentava uma nítida depressão. Hoje consta que o terreno estabilizou.
Vista do espaço do Google da saida para a MS-184. Estrada do Pantanal Parque, 9 Km até o Passo do Lontra.
Logo que entramos na estrada de terra, do Pantanal Parque, na primeira ponte, bem ao nosso lado uma maritaca muito bonita e determinada ignorou a Any, ficando de costas. Como ela adora estes pássaros, começou a chama-la, e para surpresa nossa ela virou, e ficou prestando atenção aos sons onomatopaicos que a minha mulher estava fazendo. Foi emocionante, como indicação de uma boa vinda para nós ao Passo do Lontra. A natureza começava se mostrar.
São 9 km de estrada de terra do Buraco das Piranhas até o Passo do Lontra. A estrada estava necessitando muito de ser patrola, pois a trepidação e os buracos eram muitos.
Cada rio tem suas características próprias. Há anos frequento o Miranda, mas fiquei deslumbrado com a beleza do rio no momento que subi na nova ponte. As águas azuis agitadas pela brisa pantaneira, fazia a dinâmica da visão junto aos cúmulos brancos das nuvens. A mata galeria exuberante enfeitava o quadro.
Admiro o Rio Miranda desde sua parte alta após a nascente, onde estive pescando no lugar chamado de quilômetro cinquenta (estrada Aquidauana & Bonito), até sua chegada ao Pantanal Baixo na região da cidade de Miranda. Depois naveguei pelo rio 270 Km, saído do Hotel Beira Rio na cidade de Miranda até o Hotel Flutuante, no lugar onde ele recebe seu mais importante afluente o Rio Aquidauana.
Desta região, depois da cidade (Miranda), ele muda suas características típicas quando ele serpenteia, em curvas ininterruptas pantanal a dentro, penetrando no pantanal baixo. De seu encontro com o Aquidauana até o Passo do Lontra são mais 110 Km, de belezas exuberantes. Neste trajeto recebe o Rio Negrinho e depois o Rio Vermelho. Deste ponto (Passo do Lontra), até sua foz no Rio Paraguai tem mais 98 Km de rio.
É um rio muito piscoso. De todos os rios que pesquei no Pantanal, acredito que este é o de maior quantidade de peixes. Esperamos que a polícia florestal, continue a tomar conta de suas “águas”: peixes, aves e animais. Assim ele continuará pródigo em sua natureza.
Apenas 1 Km depois da ponte entra-se a direita para o Hotel: Passo do Lontra Parque Hotel.
Choveu muito nas cabeceiras dos rios ao norte, que formam o Pantanal, por este motivo, a cheia deste ano está sendo uma das maiores dos últimos tempos, isto é excelente para a natureza pantaneira.
Este Hotel é feito sobre palafitas, os peixes nadavam sub os quartos, havia água por todos os lados. A estradinha pitoresca para chegar ao hotel é um aterro elevado, que foi construído contornando as árvores. Mesmo assim no auge da cheia as águas chegaram a passar sobre ele, interrompendo por dias a chegada ao hotel por terra.
Nos dando boas vindas na estradinha, encontramos um bando de quatis. Eram muitos, que se revesavam pulando no meio da estrada.A palavra “quati” é derivada do termo tupi, que significa “nariz pontudo”. É um mamífero aparentado do guaxinim, possuindo, entretanto, um nariz mais comprido e um corpo mais alongado. É cinzento-amarelado, porém muito variável, havendo indivíduos quase pretos e outros bastante avermelhados, focinho e pés pretos, cauda com 55 centímetros, com sete a oito anéis pretos. Mede, de corpo, setenta centímetros. Vive em bandos de 4 a 20 indivíduos, é praticamente onívoro e se adapta bem ao cativeiro.
Depois de 1270 Km de passeio chegamos a este paraíso sobre as águas do Rio Miranda.
Placa da chegada ao hotel.
Éramos esperados, nos indicaram um ótimo piloteiro o Lucas, que nos ajudou com a tralha, e a organização das varas, anzóis, e outros preparativos para a pesca.
CHEGAMOS AO HOTEL PARQUE PASSO DO LONTRA AS 16:30H DO DIA 14/04/2018.
O hotel tem quilômetros de passarelas sobre as águas, é realmente uma maravilha. As árvores são cheias de pássaros: aracuãs, maritacas, araras, entre tantos outros. Não cansamos de andar e ver tanta natureza intocada.
Os peixes predominando os cardumes de piraputangas, com suas nadadeiras vermelhas, agitavam e davam vida à água.
Estas imagens de inúmeros quadros, que podemos ir observando pelas passarelas. A beleza da natureza aqui são cartões postais, para se eternizar em nossas mentes.
Olhando as fotos vemos um número muito grande de biguás. Contudo é mais difícil identificar os aracuãs, sabemos de seu grande número, pelo canto estridente e ininterruptos que eles fazem o tempo todo. De manhã até o pôr do sol.
Como observei anteriormente, vemos muitos ninhos, mas os pássaros que mais identificamos são os biguás. Incrível.
Aí estão as imagens inesquecíveis de nosso caminhar, do estacionamento até o chalé, muito confortável que ficamos. Nesta árvore o que fazia mais ruído eram os aracuãs, contudo em número os biguás superavam todos os pássaros, isso em todo pantanal.
Mesmo com a grande viagem feita, Any não estava cansada. Se as tralhas estivessem prontas acredito que ela toparia ir pescar ou passear, mas, neste dia descansamos, demos uma volta pelo hotel para conhecer a área.
Depois de nos acomodarmos no hotel, chamei o Lucas, pirangueiro, para arranjamos as varas e carretilhas para a pesca do dia seguinte. Tudo ficou muito bem organizado, a expectativa para o dia seguinte era grande, há mais de 10 anos que eu não pescava nesta região.
SAIMOS DO HOTEL, RIO MIRANDA ACIMA DIA 15-04-2018.
No outro dia passamos pela longa passarela, escutando os estridentes cantos de dezenas de aracuãs, e muitos outros pássaros. Eram uma algazarra por todas as árvores. Este era o caminho para o café da manhã.
O Rio Miranda estava muito cheio, jogando água para fora. Inundando toda área do hotel. Os peixes nadavam por todos os lados, era um criame perfeito. Eram douradinhos e piraputangas, que se refestelavam com as frutas que a todo momento caiam das árvores.
Os aracuãs não paravam era uma agitação muito grande, demoramos para fotografarmos este casal se agradando aos gritos. Este é um pé de jenipapo, uma fruta muito apreciada pelas caranhas e piavuçus.
A mesa do café era muito farta, como em todos os lugares de Mato Grosso. Quando os piões estavam conduzindo uma boiada, o café da manhã era importante pois depois somente vinha o jantar. No café era carne seca, feijão, farofa, entre outras coisas e isto de chamava: QUEBRA TORTO.
O embarcadouro do hotel é muito bem organizado, Any gostou. O barco a esquerda já estava pronto para saída. Fiquei emocionado ao rever o rio Miranda tão cheio e com as águas limpas. Na ponte que passamos na cidade de Miranda, as águas do rio estavam turvas, e aqui, 350 Km pantanal a dentro as águas foram purificadas pelos aguapés e estavam limpas. As raízes dos aguapés, filtram as impurezas existentes na água.
Segundo tenho conhecimento, em 1963, um professor da Faculdade de Agronomia de Piracicaba, deu uma aula na USP – Ribeirão Preto, dizendo que ele havia feito pesquisa neste sentido, em tanques com aguapés, a água entra contaminada em um lado e depois de percorrer, uma distância que não me recordo, saia limpa no outro lado.
Agora, décadas depois tenho visto na natureza este maravilho fenômeno. No Pantanal há muitos anos filmei de avião este fenômeno no Rio Taquari. Hoje frequentando a Represa de Três Irmãos no Rio Tietê, vejo as águas super poluídas que passam pela cidade de São Paulo, chegarem limpas em Araçatuba, Pereira Barreto e dezenas de outros lugares que tenho frequentado.
Mais esclarecimentos em: http://viagensdrsergiolima.com.br/
SAINDO PARA A PRIMEIRA EXCURSÃO:
O motor de 25 HP roncou e saímos rumo ao Morro do Azeite. Achamos que poderíamos tomar chuva no final da tarde, mas não importamos, pois, a emoção de subirmos o Miranda era a maior das expectativas.
Subimos o rio 15 Km até chegarmos neste ponto, onde o Rio Vermelho desagua no Miranda. É um dos lugares mais piscosos da região. Já pegamos muitos dourados neste ponto há muitos anos atrás. Hoje os dourados se forem pegos têm serem soltos. É a “pesca e solta”, para recuperar o pescado.
A casa na saída do Rio Vermelho, devido à grande cheia, estava com água em todo seu redor, não se via barranco.
Esta é uma fotografia de 10 anos atrás, no período mais seco, pode-se observar o barranco e a casa no seco.
Neste ponto, isto é, na barra do Rio Vermelho, estava se formando, para o lado Este da região, um imenso Cumulo Nimbos ameaçador. Se não fosse perigoso, uma célula meteorológica tão ameaçadora como esta, seria até bonito de ser visto. A fúria da natureza se manifestando, com ventos brigando em fortes rodopios, a água do Miranda balançando em ondas desconexas, agitando a embarcação. A dúvida da espera, por melhor tempo foi desfeita, minutos depois que um potente raio caiu logo a nossa frente, na margem esquerda, fazendo um estrondo terrível. O que nos assustou muito e ligamos o motor e partimos para frente, em direção ao Morro do Azeite.
Depois de 15Km de curvas do rio, chegamos ao Morro do Azeite. Esta elevação é um referencial em todo o Pantanal. Segundo os piloteiros da região, há muito tempo ouço falar, que nesta elevação têm várias cavernas onde moram algumas onças pitadas. Realmente quando aportamos no pé do morro para pescar, a Any andando pelo mato achou rastros frescos de uma onça. O pirangueiro precavido disse:
– Isso não é de brincar não dona! Vamos tratar de cair fora.
E assim fizemos. Fomos buscar outro lugar para nos preparar para a pesca.
Saímos e formos pescar de rodada na curva do Azeite. Tudo estava muito sereno, a isca com uma pequena chumbada vinha rolando pelo fundo. A surpresa para mim foi a isca, salsicha. Nunca pensei que até os peixes iriam aderir as modernidades.
Dois quilômetros acima do Morro do Azeite, tem um belíssimo rancho de pesca. Possui 5 lanchas ancoradas no atracadouro. Somente pode ser de algum milionário. Dizem (os pirangueiros) ser do ex-presidente Lula, hoje na cadeia.
Realmente é uma construção nababesca, somente alguém com muito dinheiro, ganho não sei como, iria fazer construções e embarcações neste grau e estilo, em um lugar remoto como este.
A embarcação que estávamos usando teve um problema sério. Para troca de embarcação, tivemos que voltar ao hotel. No retorno, o tempo havia limpado completamente, o CB havia “derretido” em chuvarada. No céu limpo, os cúmulos de bom tempo apareceram, a paisagem ficou maravilhosa.
Descendo o rio a vista ao passar pela barra do Vermelho foi maravilhosa. O tempo limpo sem vento, a água ficou um espelho, a canoa deslizava suavemente rio a baixo a uma velocidade de 37 Km/h. Interessante que subimos o rio a 30 Km/h, podemos concluir, desta maneira, que a correnteza do rio é em média 7 Km/h.
DESTE PONTO, DA VIAGEM, RESOLVEMOS IR VER UM NINHAL NO RIO VERMELHO E PESCARMOS POR LÁ.
Eu diria sem sombra de dúvidas que os ninhais do pantanal é uma das grandes ou maiores maravilhas do Pantanal. Alguém já estimou que a média de aves em um ninhal é para mais de 5.000 aves, todas com seus ninhos e filhotes, sempre esfomeados, e gritando por comida.
Assim o barulho perto destas árvores, com centenas de ninhos é ensurdecedor. Aves de muitos tipos se reúnem nos ninhais. Amilton Ribeiro, grande jornalista, hoje falecido, tem até um museu em Santa Rosa do Viterbo, em reconhecimento a seu valor, e logicamente por ter nascido lá. Ele passou vários anos estudando os ninhais, incluindo este do Rio Vermelho.
Segundo suas reportagens, os ninhais existem pelos seguintes aspectos: Primeiro para o encontro e a reprodução dos pássaros. Segundo para a proteção contra seus inimigos naturais, como aves de rapina, macacos, cobras, entre outros. Terceiro são lugares remotos, onde podem arranjarem alimentos fáceis para seus filhotes. Existem alguns ninhais mais seletivos: Por exemplo: Ninhais de Garças, de Itapicurus, Biguás, Gaviões Caramujeiros, Maguaris. Às vezes eles se misturam como é o caso deste do Rio Vermelho.
Biologicamente falando os ninhais são exemplos, inquestionáveis do equilíbrio ecológico entre as várias espécies de aves.
O biguá é chamado também de corvo-marinho, cormorão, mergulhão, entre outros nomes. Tem a coloração negra. Muito comum as áreas tropicais, próximas a rio e lagoas, tem cerca de 75 cm de comprimento.
O biguá carece da glândula uropigial, que libera substâncias que deixam as penas impermeáveis à água. A ausência da glândula proporciona uma vantagem ao biguá em relação aos outros pássaros, pois, na hora da caça, suas penas se molham, se tornam mais pesadas e retém menos ar, fazendo com que ele mergulhe mais rapidamente. Para secar as asas, costuma mantê-las estendidas ao sol.
Imagem retirada do Google
Esta árvore é típica de um ninhal de biguás. Estes pássaros, por não terem óleo nas penas, quando mergulham para a “pesca”, se molham, mas tornam nos rios de todo o mundo, um dos nadadores mais rápidos e eficientes que conhecemos.
Sendo que na Indonésia, os pescadores, domesticam os biguás, e colocam um anel metálico no pescoço da ave, de tal maneira que eles pegam o peixe, mas não conseguem deglutir, e estão presos por um fio de nylon, de tal maneira que os pescadores recolhem a ave com o peixe no bico. Recolhem o pescado e soltam a ave para uma nova captura. Depois de pescarem o suficiente, tiram o anel do pescoço da ave e as alimentam e as agradam de forma merecida. É a vida!
Esta ave, o biguá, está tão adaptada a quase todos os lugares, que tenho visto muitos bandos delas, mesmo em cidades grandes, onde tem represas e lagoas no centro da cidade ou bairros. Acabei de ver um bando de biguás, próximo ao Ribeirão Shopping, em Ribeirão Preto, semanas atrás.
Na árvore ao lado havia um ninhal de maguaris, cujos filhotes já estavam bem crescidos.
Maguari adulto. Imagem do Google. O maguari é da família das garças. Encontrada em grande parte da América do Sul, sendo comum em grande parte da região sul do país. Também pode ser encontrada mais raramente ao sul do Rio Amazonas, e Nordeste do país. Corre pequena ameaça no pantanal mato-grossense e no estado de Goiás.
Possui plumagem branca, rêmiges, coberteiras superiores e cauda escuras, região perioftálmica e base do bico nuas e vermelhas. É conhecida ainda pelos nomes de cauanã, cegonha, jaburu-moleque, joão-grande, maguarim, mauari. Alimenta-se de pequenos animais, sobretudo peixes e pequenos anfíbios, lagartos e insetos que encontra durante sua rotina alimentar.
Sofre risco de ameaça devido aos desmatamentos de seu habitat, os brejos e campos inundáveis.
Os sons e o cheiro nos ninhais são característicos, e o barulho dos filhotes ávidos de comida também. Estas manchas brancas nas folhas das árvores são causadas pelos excrementos das aves. Na maioria das vezes depois que as aves se vão, as árvores ficam completamente desfolhadas, quando não mortas.
A presença desta raça de biguá é mais rara no Pantanal.
Biguatinga, também chamado carará ou anhinga. A espécie apresenta dimorfismo sexual, sendo o macho preto e a fêmea mais colorida, com a cabeça, pescoço e peito cinza-amarelados, as rêmiges do braço e as coberteiras superiores das asas marginadas de cinzento ou dessa cor e a ponta da cauda branca. Os cararás têm comprimento médio de cerca de 85 centímetros e 120 centímetros de envergadura nas asas.
As penas do carará, como dos biguás, não são impermeáveis como as dos patos e não segregam óleo que mantenha a água à distância. Em consequência, as penas podem armazenar quantidades de água que provocam a má flutuação do animal. Esta característica é, no entanto, uma vantagem, visto que permite ao carará um mergulho mais eficiente debaixo d’água. O carará caça durante mergulhos em que fica totalmente submerso. Quando necessário, o carará seca as penas abrindo as asas ao sol como os biguás.
Depois de nos maravilharmos com as aves do grande ninhal, fomos para um belo poço do Rio Vermelho, para pescar.
O nome na fotografia está errado, o peixe é uma cachara. Para a retirada de um exemplar como este, precisa o pescador ter perícia. Pois estávamos usando um material delicado, linha 40 e carretilha pequena, o barco teve que ser solto, e o peixe dominado para não ir para o mato, onde ele se enrosca e a linha arrebenta. Demora em média uns 20 minutos para cansá-lo, aí ele vem para a superfície para ser retirado com o puçá.
Depois deste momento de emoção, é que olhamos para o céu, e vimos um grande cumulo nimbos se formando. Os ventos em círculos desorientados, crepitavam a superfície da água, agitando as árvores da mata galeria.
Mesmo o tempo revoltado, os peixes continuaram sendo pegos, ali ficamos na expectativa de melhoras meteorológicas. A esperança mora no coração do pescador aventureiro.
A célula do tempo, para oeste, emitia um ruído rouco da intensidade da chuva, mesmo assim o sol desenhou um lindo arco-íris.
A pescaria é quase sempre imprevisível, as vezes não se espera nada e o peixe vem, outras nada. O velho ditado é muito certo: “Um dia da pesca outro do pescador”.
A água refletia as nuvens rosas do pôr do sol, era um espetáculo dinâmico de luzes e cores. A água amansou.
Neste entardecer tranquilo, após o CB turbulento, os pássaros de todos os tipos levantaram voo para o pouso. Eram casais de papagaios barulhentos, que disputavam espaços com as araras vermelhas e bandos de maritacas. Em um plano muito mais alto, passava esta formação de cabeças secas se dirigindo para oeste.
Na árvore em frente um casal de papagaio, assentou e um deles ficou nos observando, para entender o porquê, de estarmos ali parados.
O dia tinha sido perfeito, natureza intocada e maravlhosa que havíamos visto. Muitos peixes pegos e soltos sem serem machucados. Tudo realmente inesquecível, nesta maravilhosa descida do Rio Miranda para o Hotel.
Quilômetros mais a baixo, 15 minutos mais tarde, a paisagem mudando, e continuava mudando a cada momento, até que 20 minutos depois a noite caiu.
DEPOIS DO BANHO E DO JANTAR, CHAMAMOS O GUIA PARA FAZERMOS UM FOCAGEM NOTURNA ESTRADA PARQUE PANTANAL.
A focagem foi proveitosa, logo depois desta ponte vimos um veado mateiro, depois vários lobinhos, e um cachorro do mato. Emoção constante, pela possibilidade de vermos uma onça, que as vezes aparece na ponte do Corixão, segundo relato do dono do hotel.
Na realidade, ver os rastros dos animais, que por ali passaram, ao longe algum reflexo de um animal arisco e fugitivo, tudo isso faz a passagem noturna por esses caminhos, nos manter atentos e emocionados. Quando em um lugar distante, 50km de qualquer fonte de luz, paramos a condução, desligamos o motor e apagamos as luzes. Descemos esperamos, avista se acomodar com a escuridão, o ouvido esquecer os ruídos brancos de tudo!
Então as emoções se sucedem, primeiro o silêncio da noite é quebrado a todo instante, por um grito desconhecido, por rufar de asas, por um sonar de morcegos sempre caçando insetos que voam em zumbidos graves e voos agudos. Corujas com cantos soturnos e longos muxoxos, fazem a escuridão se alongar entre as árvores do pântano. Despois de tanto ver a escuridão, procurando enxergar, elevamos a visão para o céu.
Aí a emoção é indescritível, a Via Láctea, marca o céu com miríades de estrelas, traçando uma larga e longa faixa, a iluminar o zênite do espaço. São luzes na escuridão do infinito. Nada seria estático, se na barra escura do céu a este, um grande meteoro não tivesse feito um longo risco brilhante no espaço.
DIA 16-04-2018, MEU ANIVERSÁRIO.
O PLANEJAMENTO, ERA IRMOS ATÉ O RIO AQUIDAUANA E AO RIO TOURO MORTO. O TOTAL DA VIAGEM SERIA 240 Km.
Para fazermos esta viagem o motor do barco foi trocado de 25 para um de 40 HP. A velocidade de subida seria de 40Km/h.
Para comemorar a data, tirei esta self com minha mulher, eu estou mais feio que os bugios das árvores que me olhavam. Salve o Pantanal, salve o 16/04/2018, que ainda estou aí no Passo do Lontra.
Assim estava à frente do chalé no momento que fiz a self, havia muitos peixes nadando, os aracuãs estavam agitados. As maritacas alvoroçadas. O ambiente era uma festa. É a vida se manifestando por todos os lados. Em nosso íntimo queremos viver para sempre também. Assim neste momento, levamos nosso pensamento a Deus, agradecendo pela bela vida que já vivemos, e para o futuro, manteremos a fé inabalável Nele! Acho este ser o sentido de nossas vidas, A FÉ!
Na frente do chalé andava um casal de Mutum, consegui fotografar este macho no momento em que ele ia beber água. Todos os pássaros estavam muito agitados. Mas ver alguns casais de mutuns andando pelo mato ao redor do hotel, realmente era um fato extraordinário.
Quando prestei mais atenção vi o mutum fêmea, um pouco atrás da árvore, prestando toda atenção ao macho para ver se valia apena acasalar. É a natureza buscando o aprimoramento da espécie (Darwin).
Os mutuns vivem em florestas tropicais húmidas, matas de galeria (margem dos rios), bem como na orla de matas e em praias, sendo vistos, nestas últimas, principalmente de manhã cedo ou ao fim da tarde.
Existe dimorfismo sexual. Os machos têm uma crista de penas negras e enroladas, a base do bico amarela e a plumagem predominantemente negra, com a região abdominal e cloacal de cor branca, tal como na extremidade das penas caudais. As fêmeas apresentam uma crista de penas brancas e negras, plumagem negra na região dorsal marcada por estriações de cor clara e penas de cor castanha no abdómen e na região cloacal. (Google).
Os hábitos, elas procuram o alimento no solo. Alimentam-se principalmente de frutos, mas também de flores e sementes. Na literatura estudada por mim, dizem que esta grande e imponente ave é gregária, ou vivem apenas em casais. Contudo nas matas do Rio Abobral e Miranda, já observei várias vezes bandos de mais de 7 aves juntas.
Elas sempre foram muito caçadas, por este motivo tornaram-se raras e muito ariscas. Com a caça proibida, elas estão se aproximando mais dos lugares habitados.
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Este caminho é para o café. As caixas de cimento são para tratamento e recuperação do esgoto de todas as dependências do hotel.
DESTINO DISTANTE, SUBINDO O RIO MIRANDA ATÉ SEU ENCONTRO COM O RIO AQUIDAUANA.
Na manhã deste dia subimos o Rio Miranda com destino ao Rio Aquidauana. Passaríamos depois de 12km pelo Rio Vermelho, 25 Km pelo Morro do Azeite, 70 Km Rio Negrinho, 107 Km rio Aquidauana, e finalmente 128 Km Rio Touro Morto. Para isso, como diz a canção “arranjamos um barco ligeiro e fomos para Corumbá, Sérgio Reis”.
A viagem era longa, o bote pequeno com um grande motor, a velocidade 50Km/h era ótima. As curvas do Miranda se sucediam harmonicamente de forma contínua. Aventura pela frente.
Realmente este é um lugar mítico para mim, desde o tempo que tinha avião, eu sempre pilotava para Corumbá, bloqueando o Hotel Flutuante, Morro do Azeite e pouso no destino. A visão deste morro, na planície pantaneira sempre foi um marco para todos nós
Sempre que tive oportunidade passava o 16/04, dia de meu aniversário nesta região.
Localização: Mesmo estando a mais de 100Km de Corumbá, é considerado como no município desta cidade, que é considerada a capital do Pantanal.
Como vimos na viagem, ao chegarmos ao Buraco das Piranhas, na BR-262, antes do trevo para a estrada de terra (Estrada Ecológica), o Morro do Azeite estava a uns 5Km a direta da rodovia.
Morro do Azeite, situado à margem esquerda do rio Miranda, como estamos vendo, é constituído por rochas carbonárias da Formação Bocaina, Embasamento Carbonático do Grupo Corumbá. Seu nome é porque no local havia uma tradicional produção de óleo de peixe para a utilização de lamparinas. Esta informação, apoiada na interpretação geo-científica, ajuda a desmistificar a crença sobre a existência de petróleo no Pantanal, segundo a qual o nome do morro teria relação com a presença de óleo na água.
Em nenhum dia voltamos para almoçarmos no hotel, sempre levamos lanches, pois no Pantanal as distâncias são muitas grandes, não compensa a volta.
A alegria da chegada neste lugar, repleto de inúmeras e boas recordações. Ainda mais que o pirangueiro Lucas disse que, subindo o Aquidauana havia um barranco, único por sinal, devido à grande enchente, que sempre ele via uma onça pintada lá, pois era a morada dela.
Chegamos na boca do Rio Aquidauana. Onde existe esta construção era o Hotel Flutuante do Beira Rio.
Algumas considerações sobre o Rio Aquidauana: Ele corre somente no estado de Mato Grosso do Sul. Pertence a Bacia do Grande Rio Paraguai. É um importante afluente da margem direita do Rio Miranda. Tem suas cabeceiras na Serra do Maracaju, e um comprimento estimado de 1200Km, até aí quando desagua no Rio Miranda. É o único rio navegável da cidade de Aquidauana, sua navegação atende somente fazendas com pequenas embarcações nas épocas das cheias, quando as estradas do Pantanal ficam intransitáveis. Com isso, cumpre um importante papel ao atender a demanda de fazendeiros da região que necessitam de escoamento de seus produtos e trânsito fluvial.
É emocionante ver a nascente de qualquer rio, mas também importante ver seu desaguar em outro rio, aumentado o fluxo d´água do que recebe.
Muita emoção mesmo, a natureza em festa. Os rios cheios, limpos, parece que a poluição ainda não havia chegado por esses lugares. HO! Pantanal maravilhoso. Não pude de deixar de lembrar que há 30 anos peguei um grande dourado neste ponto.
Gostaria de expor minhas inesquecíveis recordações do Hotel Flutuante que aí existia, hoje a construção é do IBAMA.
Primeiro, para se chegar ao hotel, eu possuía uma canoa super alumar, com dois motores de popa, para em 6 horas de navegação vir da cidade de Miranda até este ponto.
Segundo, cheguei por duas vezes presenciar um cardume de curimbatás, subindo o rio com mais de 3 km de comprimento. E dois grandes barcos com redes pegando toneladas de peixes e colocando em grandes caixas de gelo, para a venda.
Atrás da onda de curimbatás, vinham os grandes peixes de couro, jaús, cacharas, pintados, dourados entre outros. Os peixes de couro, saciados totalmente ficavam no fundo do rio. Com isca não seria possível pegá-los. Assim os pescadores, construíam forquetes, que era 3 grandes anzóis emendados, presos a uma linha 100, e com uma grande chumbada. Jogavam a linhada longe e vinham puxando a linha e fisgando ao menor toque, quando relavam no grande peixe, fisgavam com vontade, enterrando o forquete em qualquer parte do peixe, até pelo rabo havia fisgadas. E assim pegavam, traiçoeiramente os peixes no fundo dos poços, enchendo seus barcos para a venda dos pescados. Vi várias vezes caminhões, que todas semanas vinham ao Passo do Lontra e saiam carregados dos peixes.
Este período foi uma depredação inimaginável nos peixes do Rio Miranda. Hoje com a fiscalização, os peixes estão começando a voltarem ao rio.
Depois da espera, continuamos subindo, para conhecermos, o pouco conhecido, Rio Touro Morto. Ainda não descobri a origem do nome deste rio. Isto é por mim mesmo, pois acredito, de forme intuitiva, que ele não é um rio na verdadeira acepção da palavra mas sim um belíssimo corixo no pantanal.
Encontro das águas. O encontro das águas entre o Touro Morto X Aquidauana é bem nítido pois as do primeiro são absolutamente limpas, a do segundo turvas. Águas mansas refletindo nuvens, altos cirros e baixos estratos, o tempo estava mudando.
Acreditávamos que havia peixe neste encontro, contudo depois de muitas tentativas pegamos um pequeno pintadinho somente.
Em 1988, estive com o amigo José Milton, neste rio, a água estava baixa e dava para ver os peixes de couro no fundo, eram muitos: Pintados grandes, cacharas e barbados. Achávamos que iríamos pegar um monte de peixes. Tomamos uma grande lição. Passamos iscas na frente dos peixes: tuviras, carangueiros, minhoca-uçu, mas nada! Lição aprendida, o peixe somente come quando está com fome.
Por esse motivo que a pesca com redes, arpões, forquetes é um assassinato, terrível! Às vezes o grande tucunaré está tomando conta da ninhada e lá vem um arpão mortal. Qual o sentido deste procedimento? VERGONHA! Já vi várias vezes na represa de Três Irmãos, mergulhadores, saírem sorrateiramente da água, encoberto por seus equipamentos, com os peixes escondidos em sacolas e pegarem a condução, cabisbaixos e escondidos.
Os pintados entre outros estão saciados, dormindo em seus redutos e lá vem o forquete ou arpão assassino. Sim é crime mesmo! Sem falar no maior de todos que é o arrastão com grandes redes.
Tenho fé, que esses procedimentos tendem diminuir ou mesmo parar, pois são repulsivos para nós esportistas pescadores e amantes da natureza.
Ao lado de onde estávamos pescando, havia esta típica flor de aguapé, que quando se juntam em imensas moitas, descendo o rio flutuando ou paradas, são chamadas de camalotes. Na árvore ao lado ouvimos uma conversa de pássaros, olhando bem eram duas maritacas namorando.
Tem pessoas que chama o peixe, Any é uma, não estava dando nada, quando resolvemos comermos um lanche para irmos, ela pegou uma cachara, não era muito grande, mas foi o marco de termos ido até aí.
A cachara foi solta, saiu jogando água. Nada melhor que um lanche quando a gente está com fome e feliz.
Já iniciaram algumas vazantes no Pantanal. Lugares que os pescadores pantaneiros chamam de “boca”, é onde saem as iscas, isso é, os peixes pequenos que se criaram nos milhões de alagados existentes. Aí o banquete para os grandes é farto.
O tempo estava mudando, sentia-se a presença de uma célula de baixa pressão crepitando as águas do rio. Agora eu não sei se os pássaros em revoada estavam em busca de comida ou fugindo do mau tempo.
Quando o GPS mostrou, depois de quilômetros de curvas, que nossa rota era em direção a esta potente célula de mau tempo, paramos de observar as margens, os pássaros, e o piloteiro torceu ao máximo o cabo do acelerador. Os grandes temporais, com ventos fortes se torcendo, ondas levantando, raios caindo, não é nada prudente a navegação. Por este motivo felizes ficamos, ao contornar uma área do CB em ação.
O ruído estridente do motor de popa, não nos deixava ouvir os trovões dos 2 cúmulos nimbos (CB) que nos rodeavam, apenas as mudanças do clima e o criptar das pequenas ondas do rio nos faziam sentir a grandeza extraordinária das energias elétricas que existiam nas células do tempo. Raios caiam, clareando os temporais, de momentos em momentos.
Realmente o rio dá tantas curvas que somente no GPS era possível ver a direção geral ou o rumo do hotel. Isso tranquilizou pois deu para ver que livrando deste segundo temporal chegaríamos ao destino sem problemas com a tempestades. Descemos o rio a velocidade média de 57 Km/h, em 2:30H fizemos os 108 Km. A viagem foi uma aventura excitante. Realmente não vimos o tempo passar.
Chegamos no embarcadouro as 18:30h, já estava escuro. Logo que entramos, a chuva começou a cair, muita sorte. Navegar com temporal, além de perigoso é desagradável. A gente não vê nada e não temos prazer na travessia.
A noite como chovia não saímos para fazer focagem noturna pela estrada.
Depois do belo jantar, demos uma arranjada na tralha de pesca, e fomos dormir tranquilos para o próximo dia.
DIA 17-04-2018.
O PLANEJAMENTO ERA IRMOS ATÉ O RIO PARAGUAI, DESCENTO O RIO MIRANDA. A DISTÂNCIA PREVISTA ERA DE 107 Km.
É um dos trechos do Rio Miranda muito pescado, pois existem muitos hotéis na região do Rio Paraguai. Mesmo os hóspedes dos hotéis de Corumbá, descem para pescar no Miranda. Agora, havia, com certeza muitos barcos no Miranda, pois no Rio Paraguai estava ocorrendo o fenômeno indesejável da DECOADA.
Na DECOADA OU DEQUADA, é um fenômeno que ocorre nos meses de cheia do Pantanal. As águas sobem inundando as planícies, matando toda a vegetação. O fenômeno propicia uma condição ideal para as bactérias e microrganismos, se alimentem deste substrato vegetal, neste processo há consumo de oxigênio e liberação em grande quantidade de gás carbônico (CO2). Além de outros elementos químicos como o potássio (K). Com estas reações as águas tornam- se escuras, o nível de oxigênio diminui drasticamente, o pH da água se altera.
Os peixes sobem à superfície da água em desespero pelo O2, mas não consegue extraí-lo do ar, se debatem em agonia e acabam morrendo. Já subi mais de 60Km do rio Paraguai, sentindo um cheiro horrível se peixe morto, e vendo o rio carreando milhares de peixes morrendo ou mesmo mortos: jaús, pintados, barbados, cacharas, dourados, armal, entre tantos outros.
Este fenômeno tem sido muito agravado, porque muitos pastos de gado, envernadas, no pantanal e mesmo no planalto, são queimadas nesta época, e com as chuvas abundantes na região, toda cinza destas queimadas, são levadas pelas águas, para os rios e baias, aumentando muito o agravante dos efeitos da DECOADA.
O mais grave foi descoberto pela polícia florestal, os grandes peixes na agonia da morte são alvos fáceis de pescadores inescrupulosos, que os pegam e depois vendem para consumo, uma carne já deteriorada, nas cidades.
Aprontando para a pescaria e o passeio. Acordando para o café da manhã, logo que saí do chalé, os peixes em frente estavam um reboliço, debaixo de uma árvore com frutas maduras, peguei um punhadinho e joguei, foi uma festa com as piraputangas, infelizmente elas não aparecem, o reflexo da água não permite.
No alto desta árvore havia um bando de aracuãs, fazendo uma “farra” incrível. Poucas são vistas na foto, pois o mimetismo era grande, mas o barulho de seus estridentes cantos mostrava, o grau de excitação dos pássaros nesta fase de reprodução.
Uma longa passarela de madeira, que marcava nossos passos no barulho das tábuas, é incrível como este ruído marcava a passagem de todos os hóspedes que iam para o restaurante. Eu brincava com minha mulher, os passos da ida, com fome, eram raptos e sonoros, os da volta eram lentos e abafados.
Caminhando para o restaurante, deparei com satisfação de ver um casal de mutuns bem à minha frente. Quando peguei a máquina a fêmea voou, mas pude fotografar o macho, metros à minha frente. Isso é incrível. Pois esta ave sempre foi caçada, com isso tornaram extremamente raras de serem vistas. Além do mais são muito ariscas.
DESCENDO O RIO MIRANDA.
Uns 5 km abaixo de nosso hotel, a primeira construção é o antigo Hotel do famoso Senhor ASA.
Em 1977 o Sr. Asa e o dono de uma Agência de Viagem, Mr. Blitz, na sala de conferência da Biblioteca Padre Euclides, em Ribeirão Preto, proferiu uma palestra sobre o Pantanal, especialmente sobre o Passo do Lontra e seu hotel. Isto ocorreu há 41 anos. Logo depois da exposição do dono do hotel, viemos pescar neste mesmo lugar. Pegava-se muito peixe.
Hoje o hotel, foi transformado em um centro para receber turistas, principalmente americanos, somente para conhecerem o Pantanal. Assim a semente plantada pelo SR. Asa, está vigorosa até 40 anos depois. Eu me sinto muito feliz por ter participado de toda esta evolução. Muitas vezes fiquei hospedado neste hotel. Do apartamento já subíamos nos botes, para a pesca e fotografias.
Hoje mudamos de endereço, mas a emoção é a mesma, graças a Deus.
Como eu disse o Hotel do ASA hoje é um Lodge de turistas, para passeios ecológicos.
Este é o maravilhoso “rancho” de um grupo de amigos de Araçatuba. Ele fica a uns 500m a jusante do Hotel do ASA.
Meu primo e companheiro Gustão, faz parte deste seleto grupo. Assim, parei de ir ao Hotel, e por felicidade a convite do primo passei a frequentar estas maravilhosas dependências, que é um sonho.
Logo a baixo tem outro hotel que era do japonês Sr. Takechi. Já fiquei hospedado aí também. Com uma turma de motoqueiros e trilheiros, de off Road, amigos preparados para a aventura, para fazermos trilhas pela região. Fazendas, descampados, trilhas, cerrados, vimos tantos bichos que valeu muito a pena, as trilhas da região, cortam grandes areões, grandes alagados, imensos brejos. Nestes as motos, e o quadriciclo que eu estava, 4X4. Eram equipamentos ideais para conhecermos o interior do pantanal. Aventura mesmo, incluo uso de guinchos em certos lugares. Ficamos por 4 dias percorrendo a região do Abobral, Negrinho, Vermelho. Chegamos, ao Porto Manga e a região da Nhecolândia. Muitas histórias para contar.
A ponte do Passo do Lontra, não quebrou a harmonia do lugar. Ela foi bem planejada, o que permitiria a passagem de embarcações maiores por baixo, contudo mantendo a ponte velha felizmente, como um marco histórico da passagem.
A ponte velha de madeira é um monumento ao passado, acho que durante muitos anos passamos por ela. Durante esse período, acredito que foi reformada umas 3 vezes. Na época das reformas tínhamos que passar para o Lontra de balsa. Que fique claro que o início, a estrada de Miranda até aí era de terra, e sofrível, passando dentro de alguns corixos. E a passagem pelo rio era de balsa.
É incrível como o homem pode modificar tanto a paisagem. Esta grande ponte de concreto, tornou este canto quase irreconhecível para nós mais velhos. Sei que com o tempo nos acostumaremos. É a evolução!
Infelizmente tudo que tenho visto que é deixado como patrimônio, acaba não tendo manutenção, com isto tenho medo que daqui alguns anos, quase nada restará da velha ponte do Lontra.
Depois de algumas e dezenas de curvas do rio, passamos por este poço que terminava em um rebojo onde deveria ter peixes nos esperando. Apoitamos em cima de um camalote e iniciamos a pescaria. O barulho da água acariciava o casco do bote. A isca, uma minhoca uçu, lançada com a carretilha Shimano 10.000, foi longe, no meio do rio. A correnteza foi levando o conjunto para a “linha d`água” do poção.
Era esperar, gozando toda a tranquilidade da mãe natureza do lugar maravilhoso. Aracuãs barulhentos pulavam pelas árvores. Um martim pescador, mergulhou certeiro e pegou uma branca sardinha, para o almoço. Um biguá, com uma sardinha no bico, saiu pedalando da água ganhando velocidade para voar.
Passado um certo tempo a linha começou a esticar, correndo pela superfície da água, segundos depois senti a firmeza da puxada, a fisgada foi segura. Senti a força do peixe, a briga foi boa.
Soltamos a canoa, a linha era 40, não dava para forçar, fomos rodando com o peixe, para ele cansar. Um prazer imenso nesta briga. Depois de um certo tempo, ele rebojou na superfície, maravilha!
Aí está o salto da caranha, se o anzol não estive enterrado, teríamos perdido a briga. Ela conseguiu afrouxar alinha, o peixe era bruto e astucioso. Esta foto deste momento é a síntese da emoção de um pescador. É a luta de um bravo peixe pela sua liberdade, e a perícia do verdadeiro pescador em pegá-lo, ganhando muita emoção, mas não sacrificando o lutador.
Depois de embarcada, pesada 4,5 Kg, foi solta com o maior prazer. A beleza do peixe e vê-lo saindo livre pelas claras águas do rio.
Mudamos de poço, uns 20 Km a baixo. Ao nosso lado uns grilos faziam a festa a Any, naturalista, fotografou.
Logo que a Any jogou a isca, a linha estirou, ela fisgou, a briga foi boa. Eu falei você tem sorte! Quando saiu era uma grande piranha. O pirangueiro falou para tomar cuidado. Uma dentada da piranha tora um dedo. Ela não acreditou, ele pegou um grosso talo de mato e pôs na boca do peixe, ele cortou num piscar de olhos.
Poucos segundos, como uma máquina cortadeira, ela foi destruindo o talo. Amigos cuidado com as piranhas.
Não brinque nem facilite com os dentes de uma piranha, são acúleos que cortam mesmo.
As piranhas são um grupo de peixes carnívoros de água doce. Habitam muitos rios do Brasil. O pacu também pertence a mesma espécie da piranha. No Pantanal e na Amazônia, a piranha é um alimento entre as populações locais, sendo utilizada no preparo do prato sul-mato-grossense conhecido como caldo de piranha, que dizem ser afrodisíaco. .
Ao lado do poço de pesca, eu não havia notado mas a Any sim. Existem dois tipos de aguapés, um com o núcleo amarelo e outro escuro – preto.
Nos observando de um galho, estava este lindo pássaro, estamos em busca do nome.
JACUTINGAS.
A jacutinga, também chamada peru-do-mato, é uma ave que habita as florestas virgens e matas do Pantanal. Mede cerca de 75 cm, alimenta-se de frutos e sementes. É uma espécie que vive em árvores, raramente estão no chão. O desmatamento e a caça predatória reduziram drasticamente as suas populações, sendo, atualmente, uma espécie em via de extinção. Estas imagens são importantes pois as aves são raras e ariscas.
CONTINUANDO A PESCA.
Esta cachara nos enganou bastante, pois ela fez uma força muito grande, pensávamos que ela seria bem maior. Mas não era. Soltando ela terá a chance de crescer muito ainda. Quem sabe em um próximo encontro ela estará maior.
Fomos a um poço profundo soltamos chumbada maior, buscando um espécime mais significativa. Pegamos, deu uma boa luta, mas nem sempre acertamos. Pegamos um Jau que era pequeno, tinha muito que crescer ainda, mas tinha muita força, deu trabalho para ser tirado da água. Brigou mesmo com vontade. Foi um prazer soltá-lo para crescer e reproduzir.
Desde muitos anos o rei dos peixes de couro sempre foi o jau. É um peixe de grande porte, podendo alcançar até 1,5m de comprimento e pesar 120 Kg. O corpo é grosso e curto; a cabeça grande e achatada. Os maiores jaus que eu vi, foram no porto Murtinho, eram pegos em um poço muito profundo, na boca do Rio Apa, rio este que divide o Brasil do Paraguai. Usava-se uma chumbada de 500g com linha 100, e dava-se mais de 100m de linha, para ir lá no fundo do poço, do Rio Paraguai, que tinha mais de 40m de profundidade. Os grandes jaús vivem nos profundos canais dos rios.
Duas ou três vezes, fiquei no Rio Paraguai, na boca do Rio Apara, 70Km a jusante de Porto Murtinho, com uma imensa chumbada, e grande carretilha, tentando pegar um grande jaú, mas não consegui. Um companheiro mais longe, pegou, assisti a luta que foi para ele tirar o bicho da água. Posso dizer que a luta começou no Brasil e rodando rio a baixo, terminou no Paraguai. (Não é história de pescador).
Continuando pelo Rio Miranda, a maravilhosa pescaria. Deixando as recordações, para o passado.
Any soube dominar o peixe, foi uma luta maravilhosa, a canoa levada para o meio do rio, pois o pescado busca a margem e o mato.
Anynha está prática na técnica da pesca, “pega e solta”. É uma questão filosófica, este prazer, muitos não o entendem.
É muito complexa a felicidade de uma pescaria. Podemos dizer, que existe alguma coisa lá no fundo, de nossa vida passada, que a pescaria a caçada, eram importantes para nossa sobrevivência. Observar a natureza, ver os animais, sentir o cheiro das flores, o voo cadenciado das aves, o correr das limpas águas de um rio, o certeiro mergulho de um martim pescador e depois ele levar o peixinho amassado em um galho, para o ninho, no buraco do barranco beirando a água, são coisas que nos traz alegria e paz.
Todos estes cenários são ininterruptos e dinâmicos, é muito importante conhecer para enxergar. Quem não tem a vivência da natureza, acha uma chateação estar no meio do mato. Ao iniciante é indispensável ter um guia.
Tenho um amigo que no rio São Lourenço, passou rodando de barco, ao lado de uma onça pintada e não a tinha visto. Foi o pirangueiro, que foi afastando a canoa, para longe do felino, e meu amigo ainda perguntou a ele o motivo da manobra. Quando o guia mostrou a grande pintada no barranco, ele quase morreu do coração.
Descemos mais uns quilômetros e chegamos em um maravilhoso poço, onde a água do rio fazia um grande rebojo, lancei com vontade um grande caranguejo lá no meio do poço. Parece que caiu na boca da grande caranha. Na mesma hora a linha esticou, e o grande peixe foi fisgado com vontade. A foto mostra o belo espécime pego.
Este poço foi proveitoso, saíram vários peixes, muita alegria. Eu tive o prazer de pegar e dominar com a maior tranquilidade este grande pacu-caranha. Beleza.
Existem várias espécies de Pacu, como o Pacu-Peva e o Pacu-Prata entre outras com as mesmas características. É um peixe omnívoro, predominantemente herbívoro, alimenta-se também dos frutos que caem na água. Normalmente a pesca do Pacu é feita embarcada, para facilitar sua procura nos lugares mais prováveis de os encontrar: Pequenos corixos, saídas de águas dos campos alagados (bocas), remansos de rios (rebojos).
Depois de pegarmos um jau, começamos a ouvir a oeste de nosso lugar, isso é, na área que iríamos para o Rio Paraguai, uma frente de chuvas, com muitos raios. Contudo o panorama que víamos não podia ser mais lindo. O Miranda se alargava de forma evidente, já estava sob a influência do represamento do Rio Paraguai, que neste período estava em uma de suas maiores cheias. Era indescritível a beleza do ambiente como um todo. Os raios no horizonte, clareava momentaneamente as negras nuvens. Na outra margem milhares de flores amarelas, davam acabamento ao azul das águas.
Lucas o profissional disse: Vamos pegar chuvarada, lá no rio Paraguai. Eu e Any dissemos juntos, liga o motor e vamos, muita emoção ainda nos espera.
O GPS mostrava claramente, em uma escala de 3Km/cm, nossa proximidade do grande Rio Paraguai. O visor do GPS mostra, em sua base, o traçado contorcido que é o Rio Miranda nesta região. Parece que estamos perto do Rio Paraguai, mas na realidade estávamos a 25 Km do grande rio, devido as intermináveis curvas que o Miranda dá nesta região. A altitude mostrada é de 88 metros, os rios no Pantanal descem em média centímetros por quilômetros.
CHEGAMOS NO DESTINO.
Nossa alegria foi grande ao chegar no destino. Ficamos procurando um poço para pescar, depois de uns 20 minutos o tempo começou a mudar drasticamente. Tocamos para frente e entramos no grande rio.
Com grande emoção entramos no imenso Rio Paraguai. A frente inicia uma morraria. Na parte Sul (a esquerda da fotografia), estas formações são chamadas de MORRINHOS, é onde está a grande ponte que cruza o rio. Mais para o norte (direita da foto), inicia uma serra que é chamada por muitos de SERRA DO URUCUM.
RIO PARAGUAI:
O rio Paraguai é um importante rio América do Sul que banha quatro países. Nasce no município de Alto Paraguai no estado brasileiro do Mato Grosso e banha também o estado do Mato Grosso do Sul, sendo afluente do rio Paraná.
É região de fronteira com a Bolívia por 58 quilômetros e com o Paraguai por 322 quilômetros.
Em seu percurso inicial (cerca de 50 km) tem o nome de rio Paraguaisinho, mas logo passa a ser conhecido como rio Paraguai, percorrendo um trajeto de cerca de 2621 km até desaguar no rio Paraná.
Dentro do território brasileiro, o rio Paraguai percorre cerca de 1693 km desde as nascentes até a desembocadura do rio Apa. A navegabilidade do rio em terras do Brasil dá-se satisfatoriamente a partir de Cáceres (passando por Corumbá) até a foz do rio Apa. Seu trajeto tem extensão total de cerca de 1323 km.
Seu trajeto no centro do Pantanal é tão sinuoso, e como consequência a sua velocidade é tão lenta, que uma canoa solta em Cáceres demoraria cerca de seis meses para chegar ao Oceano Atlântico.
O tempo estava fechando por toda região. Mais de 3 cúmulos nimbos se formavam por toda região. Sabíamos que iriamos pegar chuva, não tinha jeito de fugir. Sorte que o piloteiro, trouxe capas para esta ocorrência.
Estar na natureza, e entender o tempo e o espaço, é um mundo que se abre em nossa mente. Mais de 16 anos pilotei, e andei por todo este maravilhoso Brasil. Até hoje desfruto destes conhecimentos, cada paisagem é um quadro dinâmico a ser interpretado. Cada interpretação pode nos levar à alegria, a beleza; mas se for errada, pode nos levar ao desastre, ou a dificuldades desagradáveis.
ESPANTO! Quando proamos o Rio Miranda para voltarmos, esta grande célula de tempestade, em nossa rota foi a surpresa. Ela se formou tão rápida que nem demos conta de sua existência. Nossa rota em linha geral seria 90 graus na bússola, isto é, iríamos rumo Este. Mesmo com as dezenas de curvas do rio, a direção geral seria dentro desta célula do temporal, não tinha como escapar. A esperança era esta célula não ter mais que 25 Km de diâmetro.
Como esperávamos pescar neste encontro dos rios, desistimos, o mau tempo nos assustou bastante e batemos em retirada.
Dois cúmulos nimbos em conflitos, em todos esses anos de viagens, eu nunca havia visto tão claramente duas células de mau tempo, tão perto, trocando ventos, trocando descargas elétricas, ou seja, duas das maiores concentrações de energia da natureza, “urrando” com trovões e relâmpagos pelos espaços planos do Pantanal.
Os relâmpagos explodiam por todos os lados. Era uma dança de vento, de luzes e estrondos. O motor de 40HP rompia as águas. Logo a chuva desabou das carregadas nuvens negras, a barco balançava, e as vezes voava sobre as ondas. O piloteiro felizmente era um mestre, assim cruzamos os 35 km de tempestade incólumes.
Incrível pela frente um temporal, para trás o sol deslumbrante.
Depois de uns quilômetros a chuva veio forte mesmo. Nos preparamos e felizmente tudo passou.
O Rio Miranda como vimos no GPS, se contorce todo nesta região do Pantanal, assim as visões se alteram de forma extraordinária. Ora luzes, ora escuridão!
A vontade de pescar era grande, já havíamos navegado praticamente 50Km, vendo belas paisagens, muitos botes de pescadores por todos os lados, chegado ao Rio Paraguai, pegamos temporais, e nada de pescaria.
Neste lugar maravilhoso paramos para pescar. A água espelhada refletindo árvores iluminadas, o conjunto, um quadro inesquecível, de uma natureza exuberante e divina.
A Any com muita categoria fisgou, tenteou com maestria esta bela cachara. Difícil ver um exemplar tão saudável, e briguento como este. Maravilha!
Realmente neste poço pegamos outros espécimes, 2 cacharas e 1 pintado. Todos foram soltos, mas nos deram muita alegria em pegá-los.
Depois do mau tempo, a luz do sol poente vazou por baixo das nuvens cúmulos, propiciando um espetáculo grandioso no entardecer.
O vento acalmou, as turbulentas águas sumiram na mansidão do tempo. A superfície do rio tornou-se um espelho, refletindo imagens. A beleza era inquestionável, estática!
Uma força divina, acredito, mandou uma garça branca confirmar nossa visão. Não era ilusão, era real.
A passagem da branca imagem, deu vida a cena que víamos em silêncio. Ligamos o motor e saímos, as curvas do rio, acompanhava novas imagens, conforme a posição do sol poente.
Os quadros se intercalavam entre luz e escuridão, imagens inesquecíveis. Dezenas de fotografias, milhares de imagens, em nossa mente.
Com o cair da noite os gaviões caramugeiros começaram a vir para o pouso. Eram dezenas a se agruparem para a noite.
Depois de uma curva com o sol pelas costas, a imagem ficou irresistível, tivemos que estacionar o barco e extasiados admirar o quadro. Nos sentimos muito agradecidos a Deus, por termos vista e oportunidade de olharmos uma imagem desta beleza e magnitude.
Pensamos onde está o céu, onde está a água, nossa mente se eleva em felizes pensamentos, como se a existência fosse eterna. Como somos mortais, temos que pensar em nossa alma, somente ela poderá estar flanando por toda a eternidade de Deus.
O barco cortando veloz as águas rio acima, cria ondas que refletem a dourada luz do sol poente. Realmente é uma explosão de luzes, criando cenas dinâmicas de rara beleza. Para mim todas estas belezas são manifestações de Deus. Sua assinatura é presença inquestionável, estão aí, em nossa frente.
O sol já sumiu no horizonte. O cumulo deve estar a 3.000 pés de altitude, o alto estrado provavelmente a 12.000 pés, o que propiciou esta imagem.
O motor rompia as águas, querendo vencer distâncias, levantando ondas simétricas, que agitavam as vegetações das margens. A luz ia desaparecendo ao final do dia. Íamos tendo novas e desfocadas visões, a cada curva dos meandros do rio. Tudo se desfocando, como se uma nova visão fosse ocorrer naqueles instantes.
E, assim foi. A nossa frente um imenso arco íris se formou, contornando o céu. Quando o espelho d`água o refletia, ele traçava 360 graus de magnitude em nosso trajeto.
Meus pensamentos subiram aos céus. As curvas do rio em seus múltiplos meandros, não mudavam a beleza dos coloridos círculos do firmamento, incrível. O que somos frente a tanta grandeza? Onde está o céu, onde está o infinito (Castro Alves – Navio Negreiro)?
A escuridão chegou aos poucos, como uma lenta cortina que tampasse o sol, e repentinamente tudo escureceu. Parece milagre, contudo, depois das 19:15, a abóboda celeste limpou as nuvens, e começou a aparecer um céu de estrelas, com a Via Láctea no zênite, dando vida à noite.
Os barcos dos companheiros de pesca estavam chegando também. O “porto” estava um agito agradável.
A noite as flores dos aguapés abrem, perfumando anoite, e atraindo os polinizadores. É a natureza.
Any é incansável, percorreu as passarelas do hotel fotografando as lindas flores brancas dos aguapés. A beleza da ecologia é o equilíbrio, a homeostase. A cada momento, podemos ver um lindo quadro. Por exemplo estas flores estavam ao longo da passarela para o restaurante, muitos hóspedes passaram e não viram nada. Incluindo eu! Se minha mulher não estivesse observando, eu nada teria visto.
Plantas aquáticas boiavam, procurando a multiplicação nos espaços. As gotas d`água, pareciam diamantes brilhando em suas folhas.
DIA 18-04-2018.
O PLANEJAMENTO ERA IRMOS ATÉ O RIO VERMELHO, SUBIR ATÉ O MORRO DO AZEITE, 30 Km.
O dia estava limpo, somente cúmulos de bom tempo no espaço. A satisfação da saída estampada no rosto da Any. A água do Miranda, refletia o céu, e sua tonalidade azulada inspirava boa pescaria e excelente passeio.
Estamos no rio Miranda, 200m abaixo da barra do Rio Vermelho, corricando para pegar um dourado. Tudo era favorável, não tinha por não pegar um amarelão. Soltamos uma grande isca artificial, e Any depois de duas passagens pelo local, fisgou um grande peixe. Força companheira que o peixe é grande.
O piloteiro tirou a potência do motor. Gritamos, emocionados, pela segunda vez, firma Any, que o bicho é feroz. Derrepente, ao longe, o amarelão saltou espetacularmente, é extraordinariamente emocionante. O dourado é o rei dos peixes de água doce, inquestionavelmente.
A luta foi boa, pois o pescado era bravo e bruto. Dava umas arrancadas que faziam a carretilha cantar. Mesmo com o barco à deriva, ele demorou para mostrar estar se entregado. Hoje o dourado é protegido por lei, não pode ser tirado da água. É pegar e soltar. Para tanto é importante não machucar o exemplar pego.
Temos que estar atentos, este exemplar, tem que ser retirado da água sem ser machucado, e deverá ser imediatamente solto. Para procriar, uma vez que seu número está extremamente reduzido em nossos rios.
São vários os prazeres: Primeiro é estar em um lugar lindo como este pescando. Segundo é a expectativa de pegar um douradão como este. Terceiro pegar, e manobrar o equipamento para tirar o espécime da água. Quarto, devolver o peixe em seu habitat, que é o lugar dele, para a reprodução.
Nota: Os dourados estão sob proteção, quando pegos, têm que serem soltos. Caso contrário será uma infração grave, passiva de punição legal.
O dourado é um peixe dos mais importantes dos rios do Brasil; é também chamado popularmente doirado. Muito apreciado pelos pescadores esportivos, é lendário por sua bravura e resistência uma vez fisgado. Se o salmão é frequentemente citado como o alvo mais cobiçado da pescaria esportiva no hemisfério norte, na América do Sul impera o dourado. Ele ocupa a mesma classificação, de trutas e salmões mesmo sendo de outra ordem, a qual fazem parte a piranha, o lambari, o tambaqui, o pacu, e a traíra. O dourado, também é chamado de tigre de rio, é um dos mais conhecidos predadores de nossos rios. Atinge grande porte, podendo alcançar 130cm de comprimento e pesar 25kg. É um peixe muito difícil de se fisgar com o anzol, pois sua boca é muito dura, dificultando a penetração da fisga. Assim a chascada tem que ser forte.
Quando fisgado, salta para fora da água na expectativa de se livrar do anzol. Apresenta uma linda coloração amarelo ouro, com listras pretas nas laterais, as barbatanas emitem um efeito alaranjado, possui também um risco preto no meio da cauda. Tem dentes muito afiados e perigosos, são muito agressivos com outros peixes, principalmente quando estão se alimentando.
Esta grande harpia, não perde oportunidade. Durante toda manobra com o dourado ele ficou de olho, pois poderia sobrar alguma coisa para ela pegar. No caso não sobrou, pois estávamos pescando com isca artificial.
Não sei bem o porquê, mas algumas aves de rapina apareceram na área que estávamos pescando. Acredito estarem atrás de iscas, que sempre sobram nas canoas nesta área de pesca. Chegou em voo planado um urubu-de-cabeça-vermelha, e pousou bem em galho ao lado, onde estávamos pescando.
Estas imagens são do Google, pois a que tiramos não estava clara.
Características desta ave de rapina. Tem uma grande envergadura, chegando a 1,82m. É um perito em voos bem perto do solo, aproveita muito bem as brisas e raramente bate as asas. Quando planando em busca de alimento, desloca-se a grandes alturas nas correntes ascendentes.
CONTINUANDO A PESCA.
Mudamos de poço, foi bom, pegamos algumas caranhas pequenas, mas esta mereceu uma fotografia. Era um belo exemplar. Acredito que entre os peixes este é que briga mais de todos, e tem mais força em suas arrancadas. Com linha 40 não se tira nenhum peixe deste porte, sem uma boa carretilha e muita técnica.
Neste poço as águas são profundas, e a possibilidade de pegar um bom exemplar é sempre grande.
Consegui também pegar um belo douradinho. É muito emocionante pois ele deu saltos espetaculares tentando se soltar. Depois foi solto com toda a calma nas águas do Miranda. Realmente é um peixe maravilhoso, merece o nome que tem. Na década de 1980, no rio Paraguai, cheguei a ver cardumes grandes de dourados, perseguindo imensos cardumes de “sardinhas” e curimbatás.
Com uma linha 60, uma colher prateada, presa a dois giradores, no corrico pegava-se quantos dourados queríamos. Pelo fato dos dourados serem tão agressivos, e ótimo matadores, é que estão desaparecidos dos rios.
O tucunaré é também um caçador, mas longe de ter a agressividade do dourado. Na maioria das vezes temos que estimular o tucunaré, escolher a isca certa, jogar quase na boca dele para pegá-lo. O dourado não, como disse, ele sai caçando e não tem peixe que escape de sua arrancada de pega. Por este motivo, admito que o tucunaré aumenta aritmeticamente, o dourado reduziu drasticamente, sumindo mesmo em alguns rios. Além do mais, o dourado procria na piracema, se expõe, se exibe para as fêmeas, e tucunaré não, está sempre pronto, é uma espécie introduzida nas nossas bacias hidrográficas.
Any no desempenho.
Any também se divertiu muito, com os peixes e com as ações que foram em sequência. Não ficamos em nenhum momento parados, isso é emocionante na pescaria. Este pacu-caranha, estava feroz, lutou bravamente para sair da água, quando ia apontar, arrancava com toda violência para o fundo, se a carretilha não fosse boa e bem regulada, a linha por não ser grossa teria arrebentado nestes momentos. O canto da carretilha é música para o pescador.
Com a luta da Any, e o reboliço de nossa emoção, as piranhas chegaram no poço, foi uma pena, pois não dava tempo de os bons peixes pegarem a isca. Era jogar, e as piranhas pegarem a isca. Tivemos que mudar de lugar. A companheira, está me gozando, pela piranha que peguei.
Incrível a sagacidade destes gaviões caracarás, como estávamos jogando algumas piranhas fora, eles se posicionaram para pegá-las, pois algumas caiam na água semimortas ao tira-las do anzol mesmo sem querer, elas ficavam machucadas, pois a maioria engolia o anzol. A natureza em equilíbrio, uns morrem para outros viverem.
Incrível a exuberância dos aguapés. Essa vegetação para muitos é uma dádiva, pois suas raízes flutuantes purificam as águas da matéria orgânica em suspenção. Para outros um transtorno, nas usinas hidroelétricas, por exemplo, precisa de balsas especiais para removê-las. Por exemplo, há um trabalho que afirma: Se não houver uma constante na limpeza, no imenso Canal do Panamá, em 10 anos ele seria totalmente bloqueado pelos aguapés.
ANY estava queimada, cansada e tinha pego muito peixe, mesmo assim topou parar em mais um ponto de pesca.
Para retirar o anzol desta cachara sem machucá-la, o pescador teve que fazer uma cirurgia cuidadosa para não matar o peixe, e soltá-lo com segurança.
Momentos históricos para muitos, a técnica da pega e solta, considerando que antigamente os peixes pegos eram troféus. Chamar os amigos para fazer uma grande peixada, após as pescarias era uma grande festa, e motivo de comemorações. Hoje não mais!
Descemos o rio para irmos para o Hotel, no caminho vimos um casal de João Grande, Jaburu ou Tuiuiú, Any os achou muito triste, quis parar e fotografar.
O jaburu ou tuiuiú é uma ave pernalta, tem pescoço nu e preto e, na parte inferior, o papo também nu, mas vermelho. A plumagem do corpo é branca e a das pernas é preta e a ave chega a ter 1,4m de comprimento e pesar 8Kg. A envergadura pode chegar a quase três metros. O bico tem 30cm, é preto e muito forte. Devido a sua beleza exuberante, chama a atenção de todos os turistas que frequentam o Pantanal.
O jaburu vive nas margens dos rios. A fêmea forma seus ninhos no alto de árvores altas, feito com ramos secos, são ninhos muito grandes, e usados em mais de uma fase de reprodução. Com as reformas periódicas tornam-se as vezes muito grandes e pesados. Sua alimentação é basicamente composta por peixes, moluscos, répteis, insetos e até pequenos mamíferos.
São muito grandes, por isso as vezes chamado de João Grande, mas em voo planado sua imagem é extraordinária, por isso são considerados os Reis do Pantanal (foto do Google).
Há anos atrás, eu e meu companheiro José Milton, presenciamos um acontecimento extraordinário no Pantanal, na região do rio Miranda com o Vermelho. Era no início de outubro, o sol nasceu muito exuberante, aquecendo o Pantanal, principalmente na região que estávamos, pela presença de muitos e grandes, espelhos de águas, nas baias da região.
Era época do acasalamento dos jaburus e outras aves. Logo correntes de ar ascendentes, começaram a se formarem, elevando ventos para o alto. Vimos uns 5 jaburus, pegando uma corrente ascendente destas, e girando em uma ciranda lenta, iam ascendendo ao céu. Depois de uns 30 minutos, apenas duas aves, sincronizadamente, permaneciam na ciranda do ar ascendente, da corrente de convecção.
Isso nos chamou muita atenção, eram dois pequenos pontos brancos, no azul do céu pantaneiro. Derrepente ficaram juntas, se uniram, e despencaram pelo espaço. Fazendo um ruído característico de alguma coisa cortando o ar violentamente. Era uma cópula nas alturas e a grande velocidade. Se soltaram, e pareadas foram descendo, em círculos. Até que bem ao longe, às margens do Rio Vermelho, pousaram em um galho de uma grande piúva. Acho que estava sacramentada a união.
Esta curicaca estava ao lado do Tuiuiú, ela na sua especialidade pegando moluscos e pequenos animais no brejo. Na realidade esta ave é muito simbólica no Pantanal.
Na década de 1975 a 1985, frequentei muito a região de Tupaciguara, MG. Lá na entrada de muitas propriedades rurais, como de costume sempre existia uma aguada, um riozinho, um córrego, para a água indispensável para o “gadinho” que todos tinham. E, nestas aguadas sempre havia um bandinho de curicacas.
Fiquei intrigado, pois naquele tempo, usava-se caçar tudo. E, aquelas aves, tão mansas, e em todas propriedades que fui, perguntei a um amigo, Sr. Vitório, se havia um motivo para isso.
Sentados em um tronco, que era o banco de uso, e tomando uma boa pinga, que ele chamava de “aqua vita”, ele olhou para mim e disse:
— Sabe doutor, elas são nossas formas de alerta, de aviso mesmo! Deu ênfase! Quando o senhor apontou sua perua veraneio lá em cima, eu já sabia, pois elas fizeram uma gritaria danada. Nada ocorre, de diferente em volta de nossa casa que elas não nos avisam. Isso de dia ou de noite. Por este motivo, aqui em Minas, nenhum fazendeiro deixa que estas curicacas sejam espantadas, muito menos mortas!
A CHEGADA AO HOTEL FOI MUITO TRANQUILA.
Depois do jantar, à noite estava propícia, para fazer uma focagem, seria também última noite de pescaria no Pantanal.
A saída desta noite foi bem emocionante. Logo no início um lobinho saiu desafiante andando à frente da condução, como não estando nem um pouco preocupado com nossa presença. A explicação veio a frente, no meio do capim havia uma fêmea, pois ele foi por cima dela em carinhos típicos de caninos no cio.
Depois de passarmos uns 6 corixos, pouco antes do Rio Abobral, uma sombra negra de respeitável tamanho, correu no limite da luz dos faróis. Seus passos eram rápidos, sua cor bem escura. Logo imaginei ser uma onça preta, mas as patas me pareceram finas! Falei, é um grande lobo, incrível. Mas o guia, Lucas, permaneceu em silêncio, com um ponto de interrogação no semblante. Em nenhum momento opinou o que seria a sombra do animal que vimos.
Peguei a lanterna potente e desci para ver, pois o animal rapidamente entrou no mato, não achei ou vi nada. Nenhum capim se mexendo, nenhum ruído, sumiu como uma sombra da noite. Incrível. Se a esperta Any não tivesse tirado esta fotografia, diria o que vimos foi um fantasma da noite!
Hoje tranquilo analisando a fotografia, e relembrando o fato, chego à conclusão, que se tratava de um Porco Monteiro grande, alongado no pantanal, como milhares de outros. É a única explicação que encontro.
Passamos pelo Rio Abobral, na margem direita do rio dezenas de luzes vermelhas se acenderam, como brasas da noite, eram o reflexo do olho dos jacarés que ali estavam de tocaia.
Durante todo trajeto numerosos curiangos estavam na estrada, levantavam voos desconexos com nossa passagem.
Depois do rio havia um grande pé de figo silvestre, acredito que os morcegos frutívoros, estavam fazendo a festa, pois ao redor da árvore era um revoar constante deste peculiar mamífero voador.
Fomos alguns quilômetros mais à frente vimos mais dois lobinhos, aí resolvemos voltar.
Na volta, antes do Corixão, vimos um grande animal no meio do caminho, fomos chegando mais perto, era uma luzidia e imensa ANTA, ela desceu um barranco e mergulhou nas águas do corixo, paramos sobre a ponte e esperamos.
Por sorte ela saiu do outro lado da água, e atravessou a estrada, calmamente. Um animal maravilhoso, soberbo, se não tivéssemos ficado tão emocionados poderíamos ter tirado melhores fotos.
A anta saiu da água brilhando e foi direta para o outro lado da estrada, onde começou a lamber terra, segundo o guia era um lugar que tinha sal. Ela foi direta para o “salero”, com certeza estava necessitando de sal no organismo. Ela roía o sal endurecido na terra, que fazia um ruído típico, e depois com o probóscite, reunia o triturado para lamber.
Concluímos que ela veio direta para esta terra com cloreto de sódio, por necessidade. Não foi por acaso que ela fez aquele percurso. Seu destino era lamber sal, nossa presença não alterou seu objetivo. Assim, ela parou, roeu o barro endurecido e salgado, com postura de dominante, não se intimidou! É um animal destemido, por este motivo, foi tão caçada e morta pelos caçadores. Paramos em “absoluto silêncio” dando tempo ao animal de se saciar. Se não fosse a persistência da Any, essa foto não teria sido feita, pois a iluminação foi com a lanterna.
Como disse, ela não mostrou sinal de agitação, fez todos movimentos, como se não estivéssemos ali, como se não houvesse luz a iluminando e nós a observando.
Realmente a visão desta Anta, que é o maior mamífero selvagem da américa do Sul, coroou nossas saídas noturnas no Pantanal. Ela é conhecida também por Tapir. Quantos rastros deste belíssimos animal já observei, de longe já vi umas três vezes, mas lambendo no saleiro do pantanal, não esperava ter este privilégio.
Alguns dados sobre a Anta: É o maior mamífero terrestre do Brasil e o segundo da América do Sul, tendo até 300 kg de peso e 242 cm de comprimento. Se diferencia das outras espécies do gênero Tapirus por possuir uma crista sagital proeminente e uma crina. Apresenta uma probóscide (tromba), que é usada para coletar alimento. É o último animal que tem uma dieta frutívora, e tem um papel importante na dispersão de sementes, principalmente de palmeiras. Seus predadores são grandes felinos como a onça pintada. É um animal solitário e vive em territórios de 5 km² de área, em média. A anta tem reprodução lenta, com uma gestação que pode durar mais de 400 dias e parem apenas um filhote por vez, que pesa entre 3,2 e 5,8 kg. Podem viver até 35 anos de idade. (Google).
O Porco Monteiro tem história no Pantanal. Dizem que um fazendeiro, colonizador os trouxe e criou na região de Albuquerque, 1778, final do século 18. Com a Guerra do Paraguai começaram a aumentar sua criação, segundo contam, com a intensão de servir o exército. Como fim da guerra, sem comércio, soltaram estes porcos pelo pantanal. Nestes séculos que passaram, eles devem ter cruzado com outras espécies, se adaptaram muito bem, e se alastraram pelo Pantanal todo.
Eu já os vi na Transpantaneira. Quando andei de quadriciclo pelas trilhas da região do Abobral, vi várias varas destes porcos. E relatos existem, com preocupações de seu equilíbrio populacional em relação aos porcos nativos: queixadas, catetos entre outros.
Imagem de um Porco Monteiro no Pantanal (Google).
DIA 19-04-2018.
HAVÍAMOS PASSADO MOMENTOS FELIZES, ESTE DIA ERA DA PARTIDA PARA RIBEIRÃO PRETO.
Gostamos tanto que já marcamos o provável dia para a volta dia 15 de setembro. Não estávamos tristes pela partida, pois o retorno para casa é também uma grande felicidade, voltarmos às nossas atividades, faz parte da existência de todos. Importante é ser feliz.
A hora da partida, toda a tralha já na condução, estava esperando a Any que ainda tirou umas fotografias de despedida. Sentimos que poderíamos ficar mais uns dois dias. Isso é muito salutar em um passeio, quando somos felizes e realizados, querer ficar…
As comuns e prolíferas flores dos aguapés foram as escolhidas para a despedida de Any do Hotel Parque Passo do Lontra.
Passamos pensativos pela ponte do Rio Miranda, deixando para trás nossas ótimas lembranças, carreadas pelas azuis águas do rio. Como se à nossa frente nada mais restasse de emoção. Engano, no segundo corixo, uma água limpa, com duas aves simbólicas do Pantanal, lá estavam: Um tuiuiú em sua pose de descanso, e duas curicacas caçando moluscos, de forma agitada, pois a corrente da água era significativa, não dava moleza a caçada.
A curicaca é uma ave que ocorre desde a Colômbia até a região da Terra do Fogo, bem como parte do Brasil. Nos Estados do Sul (RS, SC e PR) essa ave também é chamada de curucaca. Tais aves medem cerca de 69 cm de comprimento e têm cerca de 43 cm de altura, possuindo ainda um bico longo e curvo, pescoço esbranquiçado ou alaranjado, peito alaranjado, dorso cinza-esverdeado e partes inferiores negras, além das pernas avermelhadas. Também são conhecidas pelos nomes de curicaca-comum, curicaca-de-pescoço-branco, curucaca e despertador (imagem Google).
No Pantanal realmente é uma surpresa atrás de outras, as aves, os peixes, os rios, tudo em fim, a cada momento tem uma nova conotação que sempre nos surpreende.
A caminhonete saiu, o pássaro se agitou, seu reflexo na água nos emocionou. Como esquecer esta imagem!
Incrível a sagacidade destes biguás, era um bando, mais de dez. Um arisco cardume de sardinhas. Mas, todos biguás mergulharam, e cercaram o cardume, a cada momento um pássaro saia com uma sardinha no bico, que era deglutida rapidamente. Ele voltava ao mergulho para ajudar os companheiros.
Em um programa da National Geográfica na Indonésia, assisti uma cena semelhante a esta, somente que os biguás eram amarrados pelo pescador, e pegavam os peixes e não engoliam, tinham um anel no pescoço. Davam o pescado para o pescador. Ao final da pescaria, o anel era retirado, para que a ensinada ave se alimentar de seu pescado. Achei isso o verdadeiro, MUNDO CÃO!
Já no asfalto achamos que não teríamos mais surpresas, engano. Em uma reta, uns 20 km depois do Poço das Piranhas, vimos esta vara de catetos cruzando a estrada, sorte que o caminhão já havia passado.
Os catetos são chamados em muitos lugares de caititu, é chamado de porco-do-mato devido à sua aparente semelhança com os javalis. Entretanto, várias características anatômicas o tornam diferente. Os caititus se alimentem de itens diversos, incluindo alimentos fibrosos, sobras de legumes, frutos e pequenos vertebrados. Dentre as três espécies destes animais existentes, os caititus são os de menor porte.
Pelas imagens podemos notar que os catetos são muito diferentes dos porcos monteiros
Possuem o comportamento de bater os dentes como mecanismo de defesa quando se sentem ameaçados.
Depois de uns 20 km, encontros este tatu-galinha, tentando atravessar a pista. Ficou paradinho para a fotografia.
TATU-GALINHA, é seu nome comum no Brasil. É chamado também de: tatu-verdadeiro, tatu-de-folha e tatu-veado. Ele possui carapaça quase inteiramente nua, bastante convexa e lateralmente comprimida, com nove cintas de placas móveis, cabeça alongada, olhos pequenos, orelhas grandes, cauda comprida, cônica e de ponta fina.
Tatu-galinha” é uma referência ao sabor de sua carne, que se assemelha à da galinha, bem como ao fato de possuir pelos parecidos com penas em suas patas. Pode chegar a 80 cm quando adulto. Possui um casco blindado que o protege contra os predadores.
Atravessa cursos de água não muito largos sem respirar, com facilidade, caminhando tranquilamente sobre o fundo. Se o rio é muito largo, enche os pulmões e os intestinos de ar e nada semi-imerso, apenas com a extremidade do focinho fora da água. Este é um animal muito caçado pelo homem, o que vem reduzindo as populações em alguns locais em ritmo bastante sério. Conheço fazendas, que os funcionários têm cachorros especializados em caçar este tatu. Ao redor de suas casas, existem nos moirões das cercas dezenas de cascas do tatu, guardadas como troféus.
Vimos duas vezes bandos de capivaras, no trajeto até o rio Salobra, antes de Miranda.
A CAPIVARA, é uma espécie de mamífero roedor, considerado o maior roedor do mundo. É da mesma família das pacas, cotias e porquinho da índia. Seus habitats são associados a rios, lagos e pântanos. Extremamente adaptável, pode ocorrer em ambientes altamente alterados pelo ser humano. É possível distinguir os machos por conta da presença de uma glândula proeminente no focinho. Ela é um animal herbívoro.
Esta passagem pelo pantanal de caminhonete nos fez muito bem. Não estávamos com nenhuma pressa, vimos muitas aves e bichos. Any disse que gostaria de conhecer a cidade de Miranda. Assim entramos na cidade.
Como era a estação ferroviária da cidade.
INCRÍVEL SER HOJE ESTA A ESTAÇÃO DA NOROESTE DO BRASIL EM MIRANDA.
Histórico da cidade de Miranda: A localidade foi fundada em 1778. Em 1835, o local passou a se chamar Nossa Senhora do Carmo de Miranda e sua comarca abrangeu todo o Planalto do Amambaí. Em 1857, consegue por meio de lei provincial transformar a localidade em vila com o nome de Miranda. Em 1865 o local é destruído pelos paraguaios durante a Guerra do Paraguai. Com o progresso a cidade é reconstruída novamente.
Estação Ferroviária – Inaugurada em dezembro de 1912 para uso de estação de embarque, ela integra o complexo arquitetônico da Rede Ferroviária Noroeste do Brasil e atualmente está sob concessão da All e Serra Verde Express. O Trem do Pantanal passa pelas cidades de Campo Grande, Aquidauana e Miranda.
Há anos atrás, 1989 aproximadamente, eu e um grupo de amigos fomos para Corumbá em um trem leito, desta ferrovia, que saia de Bauru e ia até Corumbá. Alugávamos um vagão inteiro, com beliches, sala e banheiro. Era uma bela aventura de mais de 24 horas de duração.
Desta época lembrava desta estação. Deus, como pode mudar tanto! Era um movimento louco, passageiros se empurravam para pegar o trem. Pessoas pela plataforma vendendo de tudo de alimentação. Índios nativos vendendo peças artesanais.
Na linha ao lado um trem também lotado, vindo de Corumbá, esperava para cruzamento. Pessoas para todos os lados. Os altos apitos das grandes e antigas locomotivas, marcavam o tempo na cidade. Era uma festa.
Havia contado a Any, tudo isso, ela olhou para estação e incrédula apenas falou: Não é possível! Isso é o fim.
Os trilhos cruzam a cidade, e quando o trem passava estremecendo tudo, era o acontecimento do dia. Um dia estava na cidade esperando uns companheiros, que vinham de Campo Grande, e assisti à passagem do trem, realmente era emocionante. Eram sons metálicos, e altos rangidos, ecoando por toda a cidade.
Depois desta breve visita, saímos de Miranda com destino a Campo Grande.
Vinte quilômetros depois de Miranda, tendo passado pelo posto Taguaruçu, chegamos em uma serrinha de onde foi possível ver ao longe, a importantíssima Serra do Maracaju. Antes da serraria, ficam separadas pelo Rio Aquidauana as cidades de: Aquidauana e Anastácio.
Na serrinha, o GPS está mostrando que: estamos a 417,7m de altitude, a maior do Pantanal Alto que já estive. Estamos a 107 Km/h. O Mylink da caminhonete, mostra que a temperatura ambiente é de 34 graus e são 2:51 horas da tarde, e ambos mostram uma estrada reta pela frente.
Depois desta fotografia, que eu tomei consciência do estradão que iríamos pegar. Aí me concentrei na direção. Atento ao trânsito que depois de Aquidauana era complicado. Iríamos subir a serra de Aquidauana para o planalto. Na subida encontramos muitos caminhões, e a velocidade final é sempre do caminhão mais lento, forma uma fila de 3 a 4 treminhões, precisamos de muito espaço para a ultrapassagem com segurança, da fila de caminhões.
Na atenção que estávamos, logo cumprimos os 170 Km até Campo Grande. Resolvemos, não passarmos pela cidade, e a contornamos, é uma volta e tanto, não sei se é vantagem. Depois de muitas rotatórias, e pequenas e congestionadas curvas, em uma pequena rampa finalmente a esquerda encontramos a saída para Rondonópolis.
Esta estrada contorna praticamente a cidade de Campo Grande, ela é muito importante e movimentada, pois segue em direção ao norte, Coxim, Rondonópolis, Cuiabá… Depois de uns 10 Km, finalmente a saída a direta para Três Lagoas, nosso destino, naquele dia.
A estrada de pista simples e super movimentada, mas logo passamos por Ribas do Rio Pardo.
Quilômetros à frente cruzamos com o rio Pardo de MS.
Este é o famoso Rio Pardo, passa aproximadamente 10 Km depois da cidade de Ribas. Este rio que é afluente da margem direita do Rio Paraná, era importantíssimo caminho fluvial dos Bandeirantes, que se dirigiam às regiões de extração do ouro no Rio Cuiabá, dando origem às cidades de: Poconé e Cuiabá.
Depois do rio aos poucos, a noite foi chegando. No lusco fusco, quando não é claro nem escuro, torna-se mais perigoso guiar nesta pista simples e movimentada. Todo cuidado é pouco, pois a estrada não tem acostamento, as faixas de sinalização, estão em lugares apagadas. Existem numerosas longas subidas, não muito íngremes, mas com faixas duplas o que impedem as ultrapassagens. Mesmo assim alguns caminhões ariscam a ultrapassagem, por este motivo a atenção tem que ser dobrada.
Pela grande atenção na estrada, logo chegamos no alto do espigão da bacia do Rio Verde, já na região da cidade de Agua Clara, a noite desceu favorecendo a iluminação dos faróis, que com luz baixa, e respeito, a viagem torna-se bem mais segura e tranquila.
Logo do alto da chapada vimos as luzes esmaecidas da cidade de Água Clara. Antes da cidade passamos pelos trilhos do trem da antiga Noroeste do Brasil, logo depois a entrada da fazenda do famoso cantor Chitãozinho e Chororó, bem à esquerda da estrada. A fazenda fica na margem esquerda do Rio Verde. Logo depois passamos pelo Rio Verde, que é outro marco da penetração dos bandeirantes para o oeste do Brasil, pois também é um importante afluente da margem direita do Rio Paraná.
A cidade de Água Clara é uma “ilha”, somente que não é cercada de água, é cercada por imensos e infindos eucaliptais. Era uma cidade apenas ligada à pecuária, hoje, em virtude das imensas plantações de eucaliptos, nasceu uma grande indústria de processamento da madeira, que está movimentando a cidade e região.
Construíram um posto de gasolina, restaurante e loja, com tudo que se possa imaginar. Realmente é um dos maiores estabelecimentos que conheço, deste gênero.
Esta é uma pequena amostra da loja do estabelecimento.
Esta é uma maravilhosa mesa de madeira, ela é proporcional a tudo, no tamanho e proporção das coisas.
Para não haver disparidade, vamos ver o tamanho deste leão de madeira, que está à venda por 85.000,00 reais.
Para não haver dúvidas observe meu tamanho atrás do leão!
Any quase cabe na boca do leão, incrível!
Any sumiu atrás do leão de madeira, uma imagem incrível nunca havia visto nada igual. Segundo o vendedor ele pesa 2 toneladas.
No restaurante além de muita comida boa a escolher, havia coisas de todos os tipos, desde um estilingue até vasos muito bem-acabados. Any gastou se não me engano 2 horas para visitar toda a loja deste imenso estabelecimento.
Any gostou muito do leão, somente não levou, pois não cabia na S-10, “nem em nossos bolsos”.
Na hora da saída ainda fotografamos este estilizado e muito bem feito carro de boi, maravilha.
Deste posto até Três Lagoas, são 140 km, de uma estrada com pista simples em sofrível estado de conservação. Tanta riqueza sentimos ao passar por esta estrada, ver sua importância econômica para o Brasil, e tanto desprezo! São imensos treminhões carregados de madeira, de bois, de soja, saindo de Mato Grosso. E outro tanto de caminhões entrando com outros produtos industrializados, ou matéria prima. Mas, trafegando com dificuldade em meio a tanto abandono. Não tenho dúvidas o brasileiro é um herói, trafegar dia e noite por estas estradas, levando toda nossa riqueza, sem o mínimo apoio dos governantes é um atentado a moral e ao caráter dos governantes.
Cheguei em Três Lagoas são e salvo. Mas minha mulher disse que não aguentava mais a viagem. Ver tantas ultrapassagens a alta velocidade, tudo extremamente cansativo. Filas de caminhões, em subidas longas, quase parando, os sons ininterruptos de freios a ar comprimido, a todo momento, intercalados ao rugido frenético dos grandes motores. E lá na frente da fila, um velho Mercedes 1113, esforçando ao máximo, para subir com uma “gaiola” de cavalos cabisbaixos.
No fim da subida, os grandes passavam, em filas, como se nós mais rápidos e menores, não existissem. Eu continuava aspirando a preta fumaça, do heroico 1113, até uma outra oportunidade.
Quando parei no hotel, não resisti em tirar esta fotografia da valente S-10, que havia cumprido sua missão, como um equipamento realmente eficiente e confiável.
DORMIMOS EM TRÊS LAGOAS.
A volta para casa é um misto de alegria e saudade. Alegria pelo retorno a vida e nossas atividades. Saudade, pois, a viagem foi maravilhosa, os passeios inesquecíveis.
Logo que entramos na Rodovia Marechal Rondon encontramos com este ônibus de pescadores. Deu saudade, do tempo do ônibus HULK, dos companheiros de Santa Rita do Passa Quatro, quanto companheirismo, quanta alegria e dedicação, de todos aqueles saudosos companheiros.
A viagem foi normal pelas estradas do Estado de São Paulo.
A chegada a nossa cidade, nossa casa, nossa vida, é um momento de profunda meditação para mim. Sou um viajante compulsivo, gosto de conhecer lugares, e guardá-los em minha mente e no coração, mas a volta? Como fica nossa mente? Nossos sentimentos?
Poderíamos esquecer tudo, apagar do coração, das lembranças, começando tudo de novo? NÃO MESMO!
Este é o motivo primordial que escrevo estas viagens, para não me esquecer de nada. Tudo foi muito importante e inesquecível.
No tempo de nossas vidas cada ponto é uma lembrança, cada lembrança uma emoção. A USP – Universidade do Estado de São Paulo, onde estudei, me formei e dei aula durante 35 anos. Esta floresta existente ao redor do campus da universidade, foi plantada graças a inciativa dos professores da universidade.
O HC – Hospital das Clínicas da USP – Ribeirão Preto, atende clientes de todo Brasil, são milhares por dia, de manhã ônibus de muitas cidades, lotam seus imensos pátios, ambulâncias fazem filas para deixar os pacientes. É realmente um centro nacional de referência a saúde, a pesquisa, e ao atendimento de todo Brasil. Seus 25 quilômetros de corredores, estão sempre cheios de profissionais da saúde.
Ribeirão Preto se abre em minha frente, no alto da estrada de nossa chegada. Sua terra roxa de primeira qualidade, se perdendo nas distâncias. A cidade, um ambiente que nos recebe sempre de braços abertos. Viemos de outra cidade, Casa Branca, mas há 60 anos aqui chegamos de trem pela Mogiana, e fomos recebidos com amor e ganhando conhecimento. Cidade dadivosa, e mãe para aqueles que querem ser seus filhos. Inquestionavelmente a chegada é além de tudo, é e sempre será um momento de grande emoção.
Hoje dia 24-05-2018, gostaria de colocar esta nota importante. TODO BRASIL ESTÁ PARADO PELA GREVE DO CAMINHONEIROS, COM RAZÃO, ÓLEO DIESEL, UM DISPARATE, AS ESTRADAS ABANDONADAS. O QUE ESPERAR?
Este comentário não significa, que acho uma greve desta proporção seja o melhor caminho. Quando uma greve prejudica tantos, ela não pode ser considerada uma greve válida ou legal. É abuso, falta de dialética e planejamento. Creio que, todos ao final, devem sair perdendo. É triste!